BE questiona Governo dos Açores sobre transporte público em São Miguel

O BE/Açores questionou o Governo Regional sobre problemas verificados nas duas primeiras semanas de atividade da nova empresa de transporte público de passageiros na ilha de São Miguel e o que fez para “evitar e corrigir” falhas.



O partido referiu em comunicado que o funcionamento do novo modelo de transporte público rodoviário na maior ilha açoriana “tem sido alvo de muitas críticas por parte dos utilizadores”.

Entre as queixas estão situações de falta de sincronização entre carreiras, tempos de espera prolongados e ligações que deixam de ser asseguradas, assim como problemas graves na conservação de alguns veículos, que colocam em causa o conforto e a confiança dos passageiros.

“Para além disso, a Junta de Freguesia das Calhetas denunciou que crianças estão a ser deixadas a 1,5 quilómetros da Escola Rui Galvão de Carvalho, sendo obrigadas a percorrer o restante trajeto a pé, e que passaram a partilhar lugares com passageiros, quando anteriormente dispunham de transporte dedicado”, indicou.

Segundo o BE/Açores, a Direção Regional da Educação e Administração Educativa confirmou que as escolas EBI de Água de Pau, EBI da Maia e EBI da Ribeira Grande “têm registado constrangimentos relacionados com desfasamentos entre horários escolares e horários dos autocarros, falhas de passagem em determinadas localidades e dificuldades operacionais nas paragens”.

O partido considerou que as ocorrências “levantam dúvidas sérias quanto à capacidade operacional da concessionária”, considerando imprescindível que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) “assegure o cumprimento de padrões mínimos de qualidade, segurança, manutenção e fiabilidade no serviço público de transporte rodoviário”.

Assim, o Bloco entregou um requerimento no parlamento regional para saber que avaliação faz o executivo sobre a capacidade operacional da concessionária “face às falhas operacionais reportadas pelos utentes e às deficiências observadas na conservação dos veículos”.

Também quer saber que medidas foram adotadas para garantir que os veículos utilizados no serviço público de transporte rodoviário cumprem requisitos mínimos de segurança, conforto, climatização e manutenção.

O partido questionou ainda que ações corretivas foram determinadas, quais os prazos para a execução e como está a ser monitorizada a qualidade do serviço.

No dia 25 de agosto, o deputado único do BE açoriano, António Lima, também questionou o Governo Regional sobre o transporte escolar na ilha de São Miguel após terem surgido “dúvidas” com a entrada em vigor do novo contrato de concessão do serviço público.

A 01 de setembro entrou em vigor o novo contrato de concessão do serviço público de transporte terrestre, a cargo da empresa Vale do Ave.

Segundo o executivo açoriano, o novo sistema de transporte público denominado Azores Bus, representa um investimento superior a 44 milhões de euros ao longo de 15 anos, constituindo “uma aposta estratégica na melhoria da qualidade de vida dos micaelenses, no reforço da competitividade da ilha e na promoção da sua coesão territorial”.

O novo sistema conta com mais de uma centena de autocarros, oferecendo melhores condições de conforto, segurança e acessibilidade para residentes e visitantes, indicou.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, referiu, citada numa nota de imprensa, que entre as principais novidades, estão a introdução de novas ligações expresso, que permitirão reduzir tempos de deslocação e aproximar diferentes zonas da ilha, além da criação da “Zona de Ponta Delgada”, que estabelece uma tarifa única independentemente do número de percursos utilizados dentro do concelho.

“O objetivo é claro: colocar o cidadão no centro da mobilidade, criando uma rede mais eficiente, acessível, moderna e próxima das pessoas”, disse.

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