Velhos Guetos, Novas Centralidades encerra com obra feita e alertas

Velhos Guetos, Novas Centralidades encerra com obra feita e alertas

 

Olimpia Granada   Regional   18 de Dez de 2008, 10:04

Gestora do projecto financiado pelos fundos EFTA não duvida que Rabo de Peixe mudou e mudou para melhor mas afirmou na sessão
de encerramento que nem tudo se conseguiu, denunciando a falta de coordenação das instituições de solidariedade social.

“Em hora de balanço importa destacar as ligações que não fomos capazes de fazer, as transformações que não conseguimos assegurar”, disse ontem frontalmente a gestora do projecto Velhos Guetos, Novas Centralidades para Rabo de peixe.
Piedade Lalanda citou assim a “tendência, por ventura generalizada, das instituições de solidariedade social em se fecharem sobre si mesmas”.
Para a gestora, as instituições “isolam as suas acções em modelos particulares, evitam o olhar crítico e apropriam-se dos equipamentos que o Estado constrói ou que lhes são cedidos, sem partilharem com os outros a dinamização desses espaços e o seu modo de funcionamento”.
A contestação em tom de alerta uma vez que a equipa do projecto se prepara para sair do terreno, foi feita durante a sessão de encerramento do projecto presidida pelo chefe do Executivo açoriano, Carlos César, e que contou com a presença do secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, e da embaixadora da Noruega em Lisboa (Reino que financiou a maior fatia dos fundos EFTA), Inga Magistrad.
No Teatro Mira-Mar, Piedade Lalanda acrescentou que “quando trabalham no terreno, as instituições que seguem estas famílias (identificadas) parecem remar em sentidos diferentes, cada uma fazendo o melhor que sabe mas sem concertar esforços conjuntos”.
Para Piedade Lalanda “falhou  um trabalho com as famílias beneficiárias do programa de realojamento (que decorreu em paralelo) e não foi possível - apesar das acções desenvolvidas porta- a- porta junto de 1600 famílias -contrariar “a resistência das populações” ao nível da relação com os resíduos.
No que respeita ao ambiente construído (ler caixa), a coordenadora não dúvida que os objectivos foram alcançados e salientou as dinâmicas que foram implementadas a partir de três eixos: melhorar a literacia, apostar na prevenção e reforçar a consciência cívica.

Investimento inédito
“Raramente é possível fazer algo com valor, fazer algo difícil, mudar substantivamente sem um envolvimento muito amplo e sem uma colaboração muito alargada”, considerou  o presidente do Governo Regional, Carlos César, sobre o  Velhos Guetos, Novas Centralidades.
Refira-se que o projecto financiado pelos fundos EFTA com a comparticipação do Governo da República (num total de 23 milhões de euros) ascende quase aos 30 milhões de euros se se considerarem as verbas regionais e municipais investidas em complemento.  Ou seja, um investimento avultado e raramente realizado num só local - esta freguesia da Ribeira Grande -, em apenas quatro anos.
Isto com o objectivo de dotar a localidade em geral e determinados bairros em particular, de equipamentos que contribuam para a melhoria das condições de vida e potenciem um ‘salto’  qualitativo ao nível social, cultural, habitacional, desportivo, higiénico-sanitário e cívico.
“Rabo de Peixe (...) não passou apenas de freguesia para vila no papel, está a passar em todos os campos (social, económico e  educacional) de freguesia para vila”, frisou o chefe do Executivo açoriano na inauguração da Escola EB/JI D. Paulo José Tavares.
No Teatro Mira-Mar, o chefe do Executivo açoriano fez questão de agradecer em nome do Governo e dos açorianos a generosidade da Noruega, defendendo  que  “o projecto foi um importante complemento ao esforço que os governos regionais desenvolveram ao longo da última década”.
“A construção e apetrechamento do porto, a remodelação da lota e entrega de casas de aprestos, a criação de condições para que centenas de famílias vissem cumprido o seu direito a uma habitação condigna, a recuperação do Cine-teatro Miramar; o significativo aumento dos equipamentos dedicados à infância e a renovação dos edifícios escolares”, elencou.

Em quatro anos

Projecto realiza todas as obras previstas

Das treze empreitadas previstas há quatro anos para Rabo de Peixe estão concluídas a Escola EB/JI D. Paulo José Tavares, o complexo-desportivo dotado de piscina coberta aquecida (na Escola Básica e Integrada Ruy Galvão de Carvalho), edifício-sede da Escola profissional da Ribeira Grande e o Centro de Artes e Ofícios, sede do Clube Desportivo e do Clube Naval de Rabo de Peixe, Centro Familiar e o Centro Comunitário e da Juventude.
Ainda no âmbito do projecto, foram realizados investimentos ao nível da captação e tratamento de águas em fase final de execução.
Este projecto nasceu de uma candidatura da República aos fundos EFTA  e  foi aprovada para “ajudar a melhorar a vida das famílias e  jovens de Rabo de Peixe”.|


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