Açoriano Oriental
Velhos Guetos, Novas Centralidades encerra com obra feita e alertas
Gestora do projecto financiado pelos fundos EFTA não duvida que Rabo de Peixe mudou e mudou para melhor mas afirmou na sessão
de encerramento que nem tudo se conseguiu, denunciando a falta de coordenação das instituições de solidariedade social.
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Foto: gacs
Autor: Olimpia Granada

“Em hora de balanço importa destacar as ligações que não fomos capazes de fazer, as transformações que não conseguimos assegurar”, disse ontem frontalmente a gestora do projecto Velhos Guetos, Novas Centralidades para Rabo de peixe.
Piedade Lalanda citou assim a “tendência, por ventura generalizada, das instituições de solidariedade social em se fecharem sobre si mesmas”.
Para a gestora, as instituições “isolam as suas acções em modelos particulares, evitam o olhar crítico e apropriam-se dos equipamentos que o Estado constrói ou que lhes são cedidos, sem partilharem com os outros a dinamização desses espaços e o seu modo de funcionamento”.
A contestação em tom de alerta uma vez que a equipa do projecto se prepara para sair do terreno, foi feita durante a sessão de encerramento do projecto presidida pelo chefe do Executivo açoriano, Carlos César, e que contou com a presença do secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, e da embaixadora da Noruega em Lisboa (Reino que financiou a maior fatia dos fundos EFTA), Inga Magistrad.
No Teatro Mira-Mar, Piedade Lalanda acrescentou que “quando trabalham no terreno, as instituições que seguem estas famílias (identificadas) parecem remar em sentidos diferentes, cada uma fazendo o melhor que sabe mas sem concertar esforços conjuntos”.
Para Piedade Lalanda “falhou  um trabalho com as famílias beneficiárias do programa de realojamento (que decorreu em paralelo) e não foi possível - apesar das acções desenvolvidas porta- a- porta junto de 1600 famílias -contrariar “a resistência das populações” ao nível da relação com os resíduos.
No que respeita ao ambiente construído (ler caixa), a coordenadora não dúvida que os objectivos foram alcançados e salientou as dinâmicas que foram implementadas a partir de três eixos: melhorar a literacia, apostar na prevenção e reforçar a consciência cívica.

Investimento inédito
“Raramente é possível fazer algo com valor, fazer algo difícil, mudar substantivamente sem um envolvimento muito amplo e sem uma colaboração muito alargada”, considerou  o presidente do Governo Regional, Carlos César, sobre o  Velhos Guetos, Novas Centralidades.
Refira-se que o projecto financiado pelos fundos EFTA com a comparticipação do Governo da República (num total de 23 milhões de euros) ascende quase aos 30 milhões de euros se se considerarem as verbas regionais e municipais investidas em complemento.  Ou seja, um investimento avultado e raramente realizado num só local - esta freguesia da Ribeira Grande -, em apenas quatro anos.
Isto com o objectivo de dotar a localidade em geral e determinados bairros em particular, de equipamentos que contribuam para a melhoria das condições de vida e potenciem um ‘salto’  qualitativo ao nível social, cultural, habitacional, desportivo, higiénico-sanitário e cívico.
“Rabo de Peixe (...) não passou apenas de freguesia para vila no papel, está a passar em todos os campos (social, económico e  educacional) de freguesia para vila”, frisou o chefe do Executivo açoriano na inauguração da Escola EB/JI D. Paulo José Tavares.
No Teatro Mira-Mar, o chefe do Executivo açoriano fez questão de agradecer em nome do Governo e dos açorianos a generosidade da Noruega, defendendo  que  “o projecto foi um importante complemento ao esforço que os governos regionais desenvolveram ao longo da última década”.
“A construção e apetrechamento do porto, a remodelação da lota e entrega de casas de aprestos, a criação de condições para que centenas de famílias vissem cumprido o seu direito a uma habitação condigna, a recuperação do Cine-teatro Miramar; o significativo aumento dos equipamentos dedicados à infância e a renovação dos edifícios escolares”, elencou.

Em quatro anos

Projecto realiza todas as obras previstas

Das treze empreitadas previstas há quatro anos para Rabo de Peixe estão concluídas a Escola EB/JI D. Paulo José Tavares, o complexo-desportivo dotado de piscina coberta aquecida (na Escola Básica e Integrada Ruy Galvão de Carvalho), edifício-sede da Escola profissional da Ribeira Grande e o Centro de Artes e Ofícios, sede do Clube Desportivo e do Clube Naval de Rabo de Peixe, Centro Familiar e o Centro Comunitário e da Juventude.
Ainda no âmbito do projecto, foram realizados investimentos ao nível da captação e tratamento de águas em fase final de execução.
Este projecto nasceu de uma candidatura da República aos fundos EFTA  e  foi aprovada para “ajudar a melhorar a vida das famílias e  jovens de Rabo de Peixe”.|

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