UGT/Açores pede reunião urgente do Conselho Regional de Concertação Estratégica

O presidente da UGT/Açores pediu uma reunião urgente do Conselho Regional de Concertação Estratégica para saber "os resultados práticos" das 60 medidas de promoção do emprego lançadas há um ano, mostrando-se preocupado com a "dimensão" do desemprego.


 

O anúncio foi feito sábado  no encerramento do II Congresso da UGT nos Açores, que decorreu em Ponta Delgada sob o lema “liberdade e independência sindical na defesa dos trabalhadores”, que reelegeu Francisco Pimentel como presidente.

Francisco Pimentel alertou, em declarações aos jornalistas, para a dimensão do desemprego na região - "21.000 pessoas em finais de 2013" -, considerando que os números são "preocupantes" e que o fenómeno "exige da parte dos parceiros sociais, dos poderes públicos, uma paragem de reflexão".

"É preciso saber o que está a correr bem, o que é que está a correr mal para reequilibrar as 60 medidas com vista a melhor combater o fenómeno do desemprego que começa a ser altamente preocupante", disse, defendendo políticas de crescimento económico que passem por "um novo modelo de desenvolvimento”, com uma aposta na iniciativa privada que fomente a exportação de bens e serviços e a criação de riqueza.

O presidente da UGT nos Açores justificou a posição frisando que "uma parte do desemprego" que existe na região resulta fundamentalmente da retração no setor da construção civil que se tem verificado no arquipélago.

“A administração pública atualmente está condicionada a reduções de 2% ao ano e portanto, em termos de efetivos, não consegue absorver", referiu.

No seu entender, é preciso apoiar o aparecimento de jovens empresários com capacidade de "agressividade em termos de afirmação das suas empresas no mercado altamente concorrencial e com uma formação altamente qualificada”, pelo que o novo Quadro Comunitário de Apoio deve ser usado para dinamizar uma economia sustentada na iniciativa privada.

Francisco Pimentel referiu-se ainda aos acordos das 35 horas, considerando que se está a verificar "uma pouca-vergonha" numa matéria que "devia ser um direito para todos".

Na semana passada foi divulgado que a Direção-geral da Administração e Emprego Público rejeitou a validação dos acordos das 35 horas entre o governo açoriano e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP)/Açores por este organismo não ter "personalidade jurídica nem capacidade para celebrar acordos coletivos de trabalho".

Na altura, Francisco Pimentel, que é dirigente do SINTAP, disse que o Ministério das Finanças está a "obstaculizar" a publicação dos acordos das 35 horas que o sindicato assinou nos Açores levantando uma questão "de pormenor".

Hoje, no encerramento do congresso da UGT, o responsável afirmou que "há má utilização de informação por parte de alguns sindicatos da administração pública".

"Na sequência da audiência do vice-presidente do Governo, há um compromisso durante o mês de abril de todos os associados do SINTAP, dos sindicatos da UGT, e não associados beneficiarem das 35 horas para acabar precisamente com este regabofe que é de andarem atrás das pessoas, enganando pessoas que depois se sentem defraudadas", disse.

 

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