Diferenças entre concelhos e perfis marcam rendimentos na Região em 2024

Desigualdades nos concelho, género, idade e escolaridade continuam a marcar os rendimentos na Região, segundo dados do INE. Média anual de 2024 situa-se nos 1174,93, menos 116,34 euros face à média de Portugal Continental



Os dados relativos a 2024 mostram que o ganho médio mensal na Região Autónoma dos Açores foi de 1174,93 euros, com diferenças quando analisado ao nível local e por diferentes variáveis socioeconómicas. Um valor que está abaixo da média anual de Portugal Continental (1291,26 euros).

Os números apresentados referem-se a trabalhadores por conta de outrem a tempo completo com remuneração completa, sendo que o total inclui igualmente trabalhadores com nível de educação e idade desconhecidos. Para o cálculo da média anual, foram considerados os três quartis disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), verificando-se que o terceiro quartil apresenta, como habitual, o valor mais elevado, influenciado sobretudo pelo subsídio de natal (13.º mês).

Ao nível geográfico, os valores da Região variam de forma acentuada entre concelhos. O rendimento médio mais elevado é registado no Corvo, com 1490,55 euros, especialmente devido aos resultados do terceiro quartil (2204,53 euros). Em contraste, os valores mais baixos observam-se em concelhos como Calheta (1022,08 euros), Povoação (1041,45 euros) e Vila Franca do Campo (1040,68 euros). Outros concelhos, como Nordeste (1056,39 euros), Lajes das Flores (1055,35 euros) e Velas (1095,61 euros), apresentam também níveis salariais abaixo da média regional.

Por outro lado, concelhos com maior centralidade económica registam valores mais elevados, nomeadamente Ponta Delgada (1238,63 euros), Horta (1171,54 euros), Angra do Heroísmo (1170,57 euros) e ainda Vila do Porto (1290,85 euros).

No que diz respeito à distribuição por género, os dados indicam que os homens auferem, em média, 1210,02 euros, enquanto as mulheres recebem 1138,17 euros, evidenciando uma diferença salarial de mais de 70 euros no final das contas. Esta diferença verifica-se na maioria dos concelhos, como em Ponta Delgada (1287,25 euros para homens e 1195,51 euros para mulheres) e na Horta (1223,91 euros para homens e 1124,50 euros para mulheres).

Relativamente ao nível de escolaridade, os rendimentos aumentam de forma significativa com o grau de educação. Trabalhadores com escolaridade inferior ao 1.º ciclo apresentam ganhos médios próximos dos 994 euros, enquanto aqueles com ensino básico e secundário se situam, respetivamente, em torno dos 1068 euros e 1153 euros. Já os indivíduos com ensino superior registam ganhos médios de cerca de 1825 euros. Em alguns casos específicos, como em Ponta Delgada, os rendimentos passam de cerca de 1040 euros nos níveis mais baixos para 1921 euros no ensino superior. Em Vila do Porto, o valor associado ao ensino superior anual atinge os 5599,74 euros.

Sobre a análise dos grupos etários, os trabalhadores com 34 anos ou menos auferem, em média, 1093,53 euros, enquanto os que se situam entre os 35 e os 54 anos registam cerca de 1219,54 euros. Já os trabalhadores com 55 ou mais anos apresentam um rendimento médio de aproximadamente 1269,91 euros.

Em Ponta Delgada, os trabalhadores mais jovens auferem cerca de 1140,75 euros, enquanto os com mais de 55 anos atingem aproximadamente 1461,03 euros. Em Vila do Porto, os rendimentos aumentam de 1123,31 euros nos mais jovens para 1754,17 euros nos mais velhos.

Qual é o perfil com maior rendimento na Região?

Segundo os dados do INE, nos Açores, o perfil que aufere rendimentos mais elevados resulta da combinação de vários fatores. De forma geral, os trabalhadores com ensino superior são os que recebem mais, com ganhos médios na ordem dos 1825 euros. A este perfil junta-se, tipicamente, o facto de serem homens, que apresentam uma média superior (1210 euros) face às mulheres, e de estarem na faixa etária entre os 35 e os 54 anos ou mais de 55 anos, onde os salários são mais elevados. 

Além disso, os rendimentos mais altos concentram-se em concelhos como Ponta Delgada ou Vila do Porto, onde, por exemplo, trabalhadores com ensino superior podem ultrapassar largamente a média regional.


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A Cardamine caldeirarum, uma planta herbácea endémica dos Açores classificada como ameaçada, é o foco central de um projeto de conservação que visa a recuperação de ecossistemas ribeirinhos nas Lagoas do Fogo e do Congro, na ilha de São Miguel