Açoriano Oriental
Ensino superior
UAç reivindica novo modelo de financiamento
O alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano e as crescentes necessidades académicas das populações vão implicar um aumento do número de alunos da Universidade dos Açores, que necessita de novas regras de financiamento para sobreviver.
UAç reivindica novo modelo de financiamento

Autor: Lusa / AO online
A projecção de um aumento da população académica de cerca de 3.000 para 5.000 alunos nos próximos anos e a exigência de um novo modelo de financiamento constam do Plano Estratégico de Médio Prazo da Universidade dos Açores, a que a Lusa teve hoje acesso.

Nos termos do documento, recentemente aprovado em Conselho Geral para vigorar até 2011, o actual modelo de financiamento, baseado numa fórmula comum a todo o sistema de ensino superior universitário, não serve a academia açoriana.

O documento conclui que são ignoradas duas das principais condicionantes do seu funcionamento: os custos da insularidade e o seu carácter tripolar (distribuição de departamentos pelas ilhas de S. Miguel, Terceira e Faial).

Em 2009, as despesas de deslocação da academia açoriana corresponderam a 3,5 por cento do seu orçamento, quando, nas outras instituições nacionais de ensino superior, raramente excederam um por cento, refere Plano Estratégico, que propõe o estudo de um modelo de financiamento específico, que contemple, em simultâneo, uma dotação de base, por fórmula, e um financiamento programático, por contrato.

Ainda no domínio da dotação de recursos, defende também a inclusão do tema em "ajuste financeiro entre a Região e a República", para abrir caminho à "eventual celebração de um contrato que minimize os custos da insularidade e da tripolaridade".

Entre as prioridades estabelecidas no documento proposto ao Conselho Geral pelo reitor Avelino Menezes figuram a atribuição de uma especial atenção ao combate às desistências por parte dos alunos do 1º ano e dos maiores de 23 anos, que a Universidade dos Açores pretende que representem um quarto da sua população estudantil, e a adopção de medidas para a fixação na região dos estudantes das ilhas.

Além de prever a duplicação nos próximos dois anos da oferta de cursos de especialização tecnológica e o alargamento da actividade das escolas superiores de enfermagem de Angra do Heroísmo e Ponta Delgada à área das tecnologias da saúde, o plano insiste na necessidade de qualificação da universidade.

Propõe a criação de um sistema de avaliação do desempenho de docentes e investigadores "com consequências no processo de progressão na carreira académica".

O documento realça igualmente a importância da internacionalização da Universidade dos Açores, defendendo o incremento de relações com as instituições homólogas das outras regiões da Macaronésia (Madeira, Canárias e Cabo Verde).

Ao nível dos equipamentos, o plano prevê a inauguração no próximo ano da nova sede do Departamento de Oceanografia e Pescas, resultante do restauro do antigo Hospital Walter Bensaúde, na Horta, e a entrada em funcionamento, também em 2010, do edifício destinado aos departamentos de Ciências Agrárias e de Ciências da Educação, na Terceira.

Em 2010 vão arrancar as obras de construção do Pavilhão Desportivo Universitário da Terceira e será lançado a concurso o projecto da nova Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo, que será implantada no Pico da Urze.
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