A Universidade dos Açores (UAc) é a segunda região do país com maior percentagem de publicações em colaboração internacional (59%), ocupando também a segunda posição nacional em publicações de acesso aberto (59%).
Os dados constam do “Produção Científica Portuguesa, 2015-2024: Indicadores por região - NUTS II”, publicado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
De acordo com este documento, entre 2015 e 2024, a Universidade dos Açores registou 3883 publicações (1855 entre 2015-2019 e 2028 entre 2020-2024), mostrando um crescimento sustentado no volume científico. Do total de publicações, 59% são colaborações internacionais, sendo apenas superadas pelo Algarve (61%). Este valor está acima de grandes centros como Lisboa (56%), Norte (51%) e Centro (50%).
O documento mostra ainda que a Universidade dos Açores ocupa a segunda posição nacional em publicações de acesso aberto (59%), atrás apenas do Alentejo (63%). Este indicador é superior aos valores registados no Algarve, Lisboa e Norte (todos com 53%).
Já sobre o impacto normalizado de citações, com um valor de 1,10, a produção científica da Universidade dos Açores situa-se acima da média mundial (que é 1,00). Em termos comparativos, este indicador de impacto é o terceiro mais alto de Portugal, ficando apenas atrás da Grande Lisboa (1,21) e do Norte (1,11), e superando regiões como o Centro (1,05) e o Algarve (1,08).
Sobre a qualidade das publicações, é revelado que 47,4% das publicações da UAc saíram em revistas do primeiro quartil (as 25% mais prestigiadas do mundo). Embora expressivo, este valor é inferior à média de regiões como o Algarve (51,2%) ou o Norte (50,7%).
Para Artur Gil, vice-reitor para a Ciência, Inovação e Transferência de Conhecimento da Universidade dos Açores, os resultados da produção científica da Universidade dos Açores (UAc) devem ser analisados através de um “pequeno paradoxo”: o facto de uma instituição ultraperiférica e marcadamente regional conseguir destacar-se com indicadores de topo a nível nacional.
“Os dois principais destaques da Universidade dos Açores em termos de ranking nacional situam-se, de facto, num pequeno paradoxo: o facto de sermos uma universidade ultraperiférica e também muito regional o que apesar de ser um handicap muitas vezes, aqui há de facto o paradoxo de que somos a segunda região do país com mais publicações científicas feitas em colaboração internacional”, destacou.
Artur Gil realçou ainda que a condição geográfica “obriga” a instituição a estabelecer colaborações internacionais “muito mais fortes, robustas e permanentes”, resultando num impacto que ultrapassa a escala regional. Além disso, aponta a elevada taxa de acesso aberto (59%), demonstrando uma “abertura da nossa ciência à sociedade” que coloca a universidade em destaque no panorama nacional.
Por outro lado, considera que os resultados são o fruto de uma aposta clara em áreas estratégicas para a matriz da região, através de estratégias de especialização inteligente.
“A região, através do Governo Regional e da implementação das estratégias de especialização inteligente, tem também contribuído fortemente para esta especialização ao nível de vários domínios científicos. Ou seja, as nossas especializações em termos de investigação têm muito a ver com o que é a matriz da universidade e da própria região, o que nos obriga a fazer a diferença num cenário nacional e internacional extremamente competitivo”, afirmou.
O responsável destacou ainda grupos de excelência em quatro domínios principais: Ciências do Mar (Instituto Okeanos); Biodiversidade (Cibio Açores e Grupo de Biodiversidade dos Açores); Vulcanologia (IVAR); e Estudos Insulares (CICS.NOVA.UAc e o CHAM).
A concluir, Artur Gil afirma considerar estes indicadores como uma ferramenta para compreender o impacto da universidade no território, servindo para “contribuir para o desenvolvimento regional” através do reforço da excelência científica em áreas onde a universidade já faz a diferença num cenário global competitivo.
