Turismo nos Açores cai em março, mas hotelaria aumenta as receitas

Em março de 2026, o turismo nos Açores registou uma ligeira quebra no número de visitantes e de dormidas face ao mesmo mês do ano passado. Mas o setor apresentou variações, uma vez que a hotelaria aumentou as receitas.



O turismo nos Açores voltou a registar uma quebra no mês passado, em março, apesar de ligeira. No total, houve menos visitantes e menos dormidas, mas o número de turistas estrangeiros cresceu, bem como as receitas da hotelaria. Segundo o Serviço Regional de Estatística (SREA), o número de hóspedes (visitantes) caiu 2,9% em comparação com março de 2025 e também o número de dormidas diminuiu 2,4%.

Ainda assim, há um dado que pode se considerar positivo, os turistas ficaram, em média, mais tempo na região, sendo que a estadia média subiu ligeiramente para cerca de 3 noites.

Relativamente à descida global de 2,4%, o SREA indica que se deve sobretudo à redução de turistas portugueses. As dormidas de pessoas que residem em Portugal caíram 9,3%, sendo o fator que mais influenciou o resultado negativo do mês de março. Em contrapartida, o turismo internacional cresceu, sendo que as dormidas de visitantes estrangeiros aumentaram 4,4%.

Entre os mercados internacionais, destacam-se os Estados Unidos (+12,0%) e a Alemanha (+7,8%) que ajudaram a puxar pelos números. Por outro lado, o Canadá registou uma ligeira quebra de 0,4%, sendo este um dos principais mercados da região, segundo o SREA.

Apesar da quebra, hotelaria aumenta as receitas
As dormidas foram menos, mas as receitas da hotelaria aumentaram 8,4% face a março de 2025, atingindo um total de 9,8 milhões de euros.

Este aumento percebe-se melhor ao olhar para dois indicadores: a receita por quarto disponível subiu 4,8%, atingindo os 37,17 euros; enquanto o preço médio por quarto cresceu 2,2%, fixando-se nos 71,63 euros. Na prática, isto significa que os hotéis conseguiram ganhar mais por cada quarto ocupado.

Efeito Carnaval?
Uma explicação que o SREA aponta para a variação dos números é as diferenças no calendário. Uma vez que este ano o Carnaval aconteceu em fevereiro, enquanto em 2025 foi em março.

Esta é uma análise comum por parte do setor do turismo, pois estas datas influenciam os períodos de viagem e podem a alterar a procura entre estes meses.

Os dados do SREA mostram que a realidade não foi igual em todas as ilhas no que diz respeito à variação das dormidas face ao mesmo período de 2025. Enquanto algumas registaram crescimento, outras enfrentaram quebras. O aumento da procura verifica-se na Graciosa (+22,0%), nas Flores (+15,5%), na Terceira (+7,8%) e um aumento ligeiro em São Jorge (+1,4%).

No lado das descidas está o Corvo (-29,9%), o Faial (-14,4%), Santa Maria (-10,2%), Pico (-8,5%) e também São Miguel, a ilha com maior com maior peso regional não escapou a uma quebra de 3,3%.

O Turismo Rural é o mais afetado, segundo os dados do SREA. Por tipo de alojamento, a maior queda aconteceu no turismo em espaço rural com menos 7,5% das dormidas. De seguida o alojamento local com menos menos 3,1% e depois hotelaria cm menos 1,8% das dormidas.

Os dados de março mostram um cenário de contrastes e variações. Por um lado, houve menos turistas nacionais, mas mais visitantes estrangeiros. Por outro, registaram-se menos dormidas, mas um maior rendimento por parte da hotelaria.

CCIPDalerta que tendência negativa não pode ser desvalorizada
A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) considera que os resultados relativos à atividade turística em março confirmam “uma tendência contínua negativa”, que “não pode ser desvalorizada, nem enquadrada com argumentos fáceis de alterações no contexto externo”.

“A variação homóloga mensal das dormidas é negativa pelo sétimo mês consecutivo, revelando uma perda de dinamismo da procura turística que exige atenção urgente do Governo Regional”, alerta, em comunicado.

A CCIPD acrescenta que o turismo açoriano deve continuar a crescer, mas alerta que a” sustentabilidade exige estabilidade da procura, previsibilidade para as empresas e condições para manter emprego, investimento e qualidade da oferta”.

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