Trabalhadores dos CTT nos Açores preocupados com privatização da empresa

Trabalhadores dos CTT nos Açores preocupados com privatização da empresa

 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Nov de 2013, 13:45

Os trabalhadores dos Correios de Portugal (CTT) nos Açores admitiram hoje estarem preocupados com o futuro da empresa face à privatização, alegando que não têm qualquer informação sobre o processo.

"O que vai acontecer nos Açores não sabemos. É uma incógnita. Ninguém informa sobre o que se vai passar", salientou, em declarações aos jornalistas, Henrique Costa, representante regional do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), no final de uma reunião com os deputados do PS na Assembleia Legislativa dos Açores.

Henrique Costa alertou para o facto de já terem sido encerrados quatro balcões dos CTT nos Açores, na ilha de São Miguel, acrescentando que já foram agenciados "giros" (distribuição de encomendas) em São Miguel e que em breve será tomada a mesma medida na ilha Terceira.

"O que sabemos é que já há muito tempo a empresa CTT a nível nacional vem a criar condições para que quem vier a ficar com os correios não tenha tantos encargos", salientou, lembrando que a nível nacional já foram encerradas 300 estações de correios e que "fecharam 894 postos de trabalho".

Nos Açores, os Correios de Portugal têm atualmente 273 trabalhadores, no quadro e assalariados, mas as contratações têm sido reduzidas, segundo Henrique Costa.

"Neste momento a política da empresa é não assalariar e já vai cortar postos de trabalho, que vão trazer depois problemas ao nível da distribuição e ao nível do atendimento", frisou, admitindo que "há um certo receio dos trabalhadores".

Segundo o sindicalista, a Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC) conseguiu cobrir a lacuna de atendimento nas localidades em que os balcões de CTT foram encerrados em São Miguel, mas não resolveram o problema da entrega do correio físico.

Os trabalhadores aguardam agora pelo início de dezembro, altura em que os Correios de Portugal deverão ser postos em bolsa por 600 milhões de euros.

"A própria empresa não apresentou nada que diga o que é que vai acontecer no futuro, aliás, nem sabemos quem são os grupos interessados na privatização dos correios", salientou.

Por sua vez, o líder da bancada parlamentar do PS na Assembleia Legislativa dos Açores, Berto Messias, anunciou que os deputados socialistas vão solicitar uma reunião com a direção regional dos CTT "para perceber quais são as intenções relativamente aos Açores".

"Vamos solicitar esta reunião à direção regional e, se necessário for, iremos também solicitar uma reunião à secretaria de Estado", frisou.

Segundo o líder parlamentar socialista, o processo de privatização dos CTT parece decorrer "na clandestinidade", porque os trabalhadores não sabem o que vai acontecer a curto prazo.

"A acontecer um processo de privatização numa empresa como os CTT devem ser salvaguardados os interesses dos Açores", defendeu, salientando que a região tem "especificidades muito próprias que têm de ser acauteladas num processo deste tipo".


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