Açoriano Oriental
Terceira Tech Island deverá ter 21 empresas no início de 2020

O Governo Regional dos Açores estima que, no início de 2020, o número de empresas fixadas na ilha Terceira no âmbito do projeto Terceira Tech Island supere as duas dezenas.

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Foto: GaCS/VPGR
Autor: Lusa/AO Online

“Temos instaladas 16 empresas e já temos confirmadas mais cinco empresas, que se pretendem instalar ao longo dos próximos meses no Terceira Tech Island. Estaremos dentro de pouco tempo com 21 empresas”, avançou, em declarações aos jornalistas, o vice-presidente do executivo açoriano, Sérgio Ávila.

O governante falava na Praia da Vitória, à margem de uma conversa com os alunos do sexto curso de formação de programadores da Academia de Código, que termina esta semana.

Com estes novos alunos, são 170 os jovens já formados, com financiamento do Governo Regional, em linguagem 'javascript' e 'outsystems', desde outubro de 2017, na ilha Terceira.

Segundo Sérgio Ávila, a procura de recursos humanos por parte das empresas que se instalaram ou que se pretendem instalar na Praia da Vitória supera a capacidade de oferta da ilha Terceira, por isso é preciso continuar a formar jovens.

“Vários destes alunos, antes de acabarem, já têm duas, três, quatro ofertas de emprego. A perspetiva de empregabilidade é extremamente elevada”, frisou.

O vice-presidente do Governo Regional sublinhou que há empresas já instaladas a “ganhar muitos contratos” pelo mundo inteiro e que necessitam de “aumentar significativamente" os seus recursos humanos.

“Há uma empresa, por exemplo, que tem neste momento 25 programadores e precisa de chegar urgentemente aos 50, porque ganhou muitos concursos a nível internacional”, revelou.

Os cursos da Academia de Código e da ITUp na ilha Terceira têm atraído jovens com diferentes níveis de qualificação, desde os que terminaram o 12.º ano ou cursos profissionais aos que deixaram licenciaturas a meio para se formarem em programação, passando pelos que já tinham concluído licenciaturas e mestrados e até já estavam integrados no mercado de trabalho, mas decidiram iniciar atividade numa nova área.

“É um emprego com futuro, com estabilidade, com um nível de remuneração muito acima da média, com grande capacidade de trabalharem para o mundo inteiro”, salientou Sérgio Ávila.

Luís Ferreira, 29 anos, natural do Porto, estava pronto a integrar o mercado de trabalho como arquiteto, depois de concluir o mestrado em Coimbra e de ter feito o estágio da Ordem de Arquitetura, mas largou tudo e fixou residência na ilha Terceira para frequentar o curso da Academia de Código.

“Tinha oportunidade de continuar a trabalhar como arquiteto, tinha outro projeto de tradução que também já me estava a dar bastante rentabilidade, mas eu queria mesmo trabalhar em programação”, revelou, acrescentando que “precisava de uma coisa que tivesse a ver com desafios lógicos”.

Descobriu a Academia de Código no Facebook e mal terminou o estágio mudou-se para a ilha Terceira. Prestes a acabar o curso, tem já uma proposta concreta e vários contactos.

“Não estou nada arrependido. Foi das melhores decisões que podia ter tomado em termos profissionais”, apontou, acrescentando que já aconselhou o curso a amigos que já se inscreveram na Academia de Código.

Também Beatriz Almeida Pires, 25 anos, natural do Algarve, alterou a residência fiscal para os Açores para frequentar este curso e hoje, já com entrevistas marcadas, diz que não se arrepende da decisão.

“Eu tinha emprego, inclusivamente estive no estrangeiro a trabalhar, mas decidi experimentar uma coisa completamente nova e foi por isso que me candidatei e decidi arriscar”, adiantou.

Formada em design de moda, Beatriz mudou-se para uma área completamente diferente, mas com o “espírito de trabalho e de sacrifício” incutido está prestes a concluir o curso e já tem entrevistas de emprego marcadas.

“No ensino tradicional pedem-nos exames específicos e aqui não há requisitos, qualquer pessoa pode-se candidatar e essa foi uma das coisas que mais me atraíram”, referiu.

O Terceira Tech Island, que surgiu com o objetivo de mitigar o impacto da redução militar norte-americana na base das Lajes, deverá instalar-se numa antiga escola americana, mas por enquanto as empresas continuarão a instalar-se em edifícios abandonados no centro histórico da Praia da Vitória.

“Tudo aquilo que eram lojas fechadas neste momento são empresas internacionais abertas e muitas outras estão a surgir. Isso tem uma dinâmica ao nível da economia local que acho que não devemos perder”, sublinhou o vice-presidente do executivo açoriano, ressalvando que o projeto de recuperação da escola está “em fase final de elaboração”.


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