Açoriano Oriental
Só a direita anti-democrática recusa a regra da maioria
O líder parlamentar do PS defendeu hoje que só a "direita" antidemocrática recusa a regra da maioria, considerou que o PSD radicalizou-se e que os socialistas, mesmo com maioria absoluta, teriam um programa semelhante ao atual.
Só a direita anti-democrática recusa a regra da maioria

Autor: Lusa/AO Online

Posições de Carlos César no seu discurso de fundo no debate do programa do Governo, em que apelou a uma cultura de tolerância e de respeito mútuo face às divergências, mas que foi muito contestado pelas bancadas do PSD e do CDS.

Numa alusão à questão da legitimidade de um Governo alternativo formado pelo PS, com suporte parlamentar do PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes", Carlos César declarou: "Para a aceitação da investidura deste Governo não sobressai nem o valor nem o desvalor da tradição, mas tão só o valor da democracia cujo resultado a prosseguir é o da maioria. Só a direita que se dá mal com a democracia não aceita a maioria e só a direita que convive mal com a democracia não aceita opiniões contrárias", disse, gerando sonoros protestos entre deputados sociais-democratas e centristas.

Numa síntese do que poderá ser um Governo alternativo liderado pelo PS, o ex-presidente do Governo Regional do Açores colocou como missões fundamentais "recuperar [o país] sem descontrolar e reformar sem fragilizar".

Mas o presidente do PS também deixou alguns recados ao próprio chefe de Estado sobre a necessidade de um Governo alternativo respeitar os compromissos internacionais de Portugal: "O PS não recebe lições de europeísmo de ninguém, incluindo de todos os atuais titulares de órgãos de soberania, mas o Governo de Portugal terá de passar a ter uma voz ativa, na Europa, na defesa dos interesses do nosso país e também na defesa do projeto europeu, não entendido apenas na ótica de um grande mercado. Divergimos da subserviência e da desistência do Governo PSD/PP", afirmou.

Na sua intervenção, o líder da bancada socialista defendeu a tese de que o PS, se tivesse ganho as eleições com maioria absoluta, "poderia não estar a celebrar com a mesma formalidade ou a discutir com a mesma profundidade com o Bloco de Esquerda ou com o PCP um acordo de políticas, mas estaria, certamente, a procurar governar com um programa e conteúdos muito semelhantes aos que se proporá fazer em consequência dos acordos que acabou por concretizar com esses partidos".

"Na verdade, nos últimos anos, a direita portuguesa reconfigurou-se e radicalizou-se, incluindo nesse movimento o afastamento do PSD das suas raízes e emanações históricas e essenciais. A prova é que procurou o CDS, e não o PS, antes e logo após estas eleições", sustentou o presidente do PS.

 
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