Regresso da Hora de Inverno

Relógios atrasam 60 minutos no próximo domingo


 

Lusa / AO online   Nacional   24 de Out de 2007, 12:39

No próximo domingo, dia 28 de Outubro, os portugueses vão poder dormir mais uma hora, já que às 2:00 (hora de Lisboa) vão ter de atrasar os seus relógios 60 minutos, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa.
Com a entrada na hora de Inverno, os relógios vão ser atrasados de 60 minutos às 02:00 da madrugada de domingo, em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, passando para as 01:00.

Na Região Autónoma dos Açores quando se registarem 01:00, os ponteiros vão atrasar-se para as 00:00.

"A hora muda a nível europeu por decreto de lei sendo alterada no mesmo instante em todos os países membros", recordou à agência Lusa Rui Agostinho, subdirector do Observatório Astronómico de Lisboa.

Ao contrário do que muitas vezes é dito, segundo Rui Agostinho, a mudança da hora prende-se com a necessidade de "não haver desfasamento solar" e "não com questões económicas".

A Comunidade Europeia faz estudos regulares para escutar os pareceres de todos os países, no sentido de verificar os indicadores mais e menos benéficos da mudança de hora.

"Chegou-se à conclusão que a mudança de hora era a opção mais favorável, para as actividades económicas e para o próprio bem-estar das pessoas", referiu.

Para se chegar a esta conclusão,"verificou-se o impacto da mudança de hora nas actividades do ser humano, no Comércio, na Indústria (da grande à pequena indústria), na Agricultura e sobretudo no modo como a luz influencia a produtividade e o tempo de lazer das pessoas", justificou o responsável.

Para Rui Agostinho, as decisões desenvolvem-se em torno da necessidade "de se aproveitar o melhor possível a luz nas actividades num modo geral", uma vez que "há muitas actividades, nomeadamente a Agricultura, que dependem muito da luz solar para trabalhar".

Deste modo, para o subdirector do Observatório Astronómico, a mudança de hora "é benéfica para Portugal”, porque se pode “aproveitar melhor as horas de sol", apesar de Portugal não ser dos países mais afectados pela mudança de hora, devido à existência de grande simetria entre o número de horas do dia e da noite.

    Esta situação já não acontece no norte da Europa, onde a actividade é mais afectada, tendo em conta que no Inverno começa a escurecer às 15:00.

No entanto, para alguns portugueses a adaptação ao novo horário é uma dura realidade.

O não poder aproveitar o fim da tarde numa esplanada para relaxar, ou dar um passeio e o facto de se chegar a casa com a sensação de que é muito tarde e já não há luz para aproveitar o resto do dia, traz a sensação de que o dia é menos rentável.

"É como viver um jetlag, porque há uma descoordenação de hábitos", explicou à Lusa Marta Gonçalves, médica especialista do sono.

"Vai ter efeitos diferentes se a pessoa é matutina ou vespertina", acrescentou.

Os portugueses vão despertar com maior claridade, sem ter de ligar as luzes, mas regressar a casa de noite, depois de um dia de trabalho ou de escola.

"Isto é um problema sobretudo para as crianças, que se levantam muito cedo e chegam a casa de noite", confirmou Teresa Paiva, neurologista e especialista em Medicina do Sono.

No entanto, para a especialista "bastam 48 horas" para o corpo, biologicamente, se adaptar à nova realidade.

"O mau estar nos primeiros dias após a mudança de hora é normal, porque as pessoas estão a habituar-se às diferenças de luz", explicou a especialista.

Para além disso, há a sensação de que há a necessidade de acender as luzes mais cedo e usar mais tempo a luz artificial.

No entanto, segundo a EDP, "a mudança da hora não trás vantagens nem inconvenientes" para os consumos.

Para a empresa, quando a hora é mudada, "não se verificam alterações de consumos na casa dos portugueses, nem na iluminação pública, porque é comandada por célula fotoeléctrica".

A Comissão Permanente da Hora, com sede no Observatório Astronómico, é a entidade consultada pelo Governo para se decidir a mudança de hora, mas o seu poder é facultativo, porque "esta é uma decisão da comissão Europeia", disse Rui Agostinho.

O subdirector do Observatório Astronómico referiu, no entanto, que a mudança de hora não agrada a todos.

"Quem tem actividades que dependem do sol prefere que a hora mude, mas quem, por exemplo, trabalha na bolsa ou com o comércio internacional o horário central europeu é a melhor opção", explicou.

Portugal apenas uma vez, em 1992, não mudou os ponteiros dos relógios, quando o governo do então primeiro ministro Cavaco Silva decidiu por decreto-lei não atrasar os relógios para a Hora de Inverno e continuar a adiantar os ponteiro uma hora em Março, sem consultar a Comissão da Hora.

"Os portugueses andavam às avessas com o sol, porque o dia nascia quando a actividade laboral e estudantil se encontrava a trabalhar há algumas horas, o que implicava maior consumo de energia durante a manhã", observou Rui Agostinho.
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