Açoriano Oriental
Regresso da Hora de Inverno
Relógios atrasam 60 minutos no próximo domingo
No próximo domingo, dia 28 de Outubro, os portugueses vão poder dormir mais uma hora, já que às 2:00 (hora de Lisboa) vão ter de atrasar os seus relógios 60 minutos, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa.

Autor: Lusa / AO online
Com a entrada na hora de Inverno, os relógios vão ser atrasados de 60 minutos às 02:00 da madrugada de domingo, em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, passando para as 01:00.

Na Região Autónoma dos Açores quando se registarem 01:00, os ponteiros vão atrasar-se para as 00:00.

"A hora muda a nível europeu por decreto de lei sendo alterada no mesmo instante em todos os países membros", recordou à agência Lusa Rui Agostinho, subdirector do Observatório Astronómico de Lisboa.

Ao contrário do que muitas vezes é dito, segundo Rui Agostinho, a mudança da hora prende-se com a necessidade de "não haver desfasamento solar" e "não com questões económicas".

A Comunidade Europeia faz estudos regulares para escutar os pareceres de todos os países, no sentido de verificar os indicadores mais e menos benéficos da mudança de hora.

"Chegou-se à conclusão que a mudança de hora era a opção mais favorável, para as actividades económicas e para o próprio bem-estar das pessoas", referiu.

Para se chegar a esta conclusão,"verificou-se o impacto da mudança de hora nas actividades do ser humano, no Comércio, na Indústria (da grande à pequena indústria), na Agricultura e sobretudo no modo como a luz influencia a produtividade e o tempo de lazer das pessoas", justificou o responsável.

Para Rui Agostinho, as decisões desenvolvem-se em torno da necessidade "de se aproveitar o melhor possível a luz nas actividades num modo geral", uma vez que "há muitas actividades, nomeadamente a Agricultura, que dependem muito da luz solar para trabalhar".

Deste modo, para o subdirector do Observatório Astronómico, a mudança de hora "é benéfica para Portugal”, porque se pode “aproveitar melhor as horas de sol", apesar de Portugal não ser dos países mais afectados pela mudança de hora, devido à existência de grande simetria entre o número de horas do dia e da noite.

    Esta situação já não acontece no norte da Europa, onde a actividade é mais afectada, tendo em conta que no Inverno começa a escurecer às 15:00.

No entanto, para alguns portugueses a adaptação ao novo horário é uma dura realidade.

O não poder aproveitar o fim da tarde numa esplanada para relaxar, ou dar um passeio e o facto de se chegar a casa com a sensação de que é muito tarde e já não há luz para aproveitar o resto do dia, traz a sensação de que o dia é menos rentável.

"É como viver um jetlag, porque há uma descoordenação de hábitos", explicou à Lusa Marta Gonçalves, médica especialista do sono.

"Vai ter efeitos diferentes se a pessoa é matutina ou vespertina", acrescentou.

Os portugueses vão despertar com maior claridade, sem ter de ligar as luzes, mas regressar a casa de noite, depois de um dia de trabalho ou de escola.

"Isto é um problema sobretudo para as crianças, que se levantam muito cedo e chegam a casa de noite", confirmou Teresa Paiva, neurologista e especialista em Medicina do Sono.

No entanto, para a especialista "bastam 48 horas" para o corpo, biologicamente, se adaptar à nova realidade.

"O mau estar nos primeiros dias após a mudança de hora é normal, porque as pessoas estão a habituar-se às diferenças de luz", explicou a especialista.

Para além disso, há a sensação de que há a necessidade de acender as luzes mais cedo e usar mais tempo a luz artificial.

No entanto, segundo a EDP, "a mudança da hora não trás vantagens nem inconvenientes" para os consumos.

Para a empresa, quando a hora é mudada, "não se verificam alterações de consumos na casa dos portugueses, nem na iluminação pública, porque é comandada por célula fotoeléctrica".

A Comissão Permanente da Hora, com sede no Observatório Astronómico, é a entidade consultada pelo Governo para se decidir a mudança de hora, mas o seu poder é facultativo, porque "esta é uma decisão da comissão Europeia", disse Rui Agostinho.

O subdirector do Observatório Astronómico referiu, no entanto, que a mudança de hora não agrada a todos.

"Quem tem actividades que dependem do sol prefere que a hora mude, mas quem, por exemplo, trabalha na bolsa ou com o comércio internacional o horário central europeu é a melhor opção", explicou.

Portugal apenas uma vez, em 1992, não mudou os ponteiros dos relógios, quando o governo do então primeiro ministro Cavaco Silva decidiu por decreto-lei não atrasar os relógios para a Hora de Inverno e continuar a adiantar os ponteiro uma hora em Março, sem consultar a Comissão da Hora.

"Os portugueses andavam às avessas com o sol, porque o dia nascia quando a actividade laboral e estudantil se encontrava a trabalhar há algumas horas, o que implicava maior consumo de energia durante a manhã", observou Rui Agostinho.
 
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