Relações culturais Europa-China devem ser aprofundadas


 

Lusa/AO   Internacional   26 de Nov de 2007, 07:36

A cimeira UE-China deve reforçar as relações entre as duas partes e torná-las mais eficientes do ponto de vista económico, cultural e social, defendeu, em declarações à Lusa, o presidente do Observatório da China, Rui d'Ávila Lourido.
"É necessário que esta cimeira reforce o diálogo com a China e aprofunde a capacidade de colaboração em todos os âmbitos de actividade, possibilitando um estabelecimento de relações mais eficientes do ponto de vista económico, cultural e social", afirmou o investigador, que é autor de vários estudos sobre História das relações entre a Europa e a China.

    Rui Lourido falava a propósito da realizaçao na próxima quarta-feira da cimeira UE-China, que decorre em Pequim.

    Na conferência de imprensa de apresentação da agenda da cimeira, o embaixador da UE na China, Serge Abou, disse que Bruxelas e Pequim deverão assinar acordos nas áreas da educação e qualificação profissional, incluindo intercâmbios na área da investigação em ciência e tecnologia, a abertura de um programa universitário euro-chinês em gestão empresarial e a criação da Universidade de Direito China-UE.

    "A China é um parceiro cada vez mais forte na cena internacional", sublinhou Rui Lourido, para apontar que o desenvolvimento de relações económicas tem maior eficácia "se for entendido o parceiro com o qual se está a negociar".

    Para isso, defendeu, é necessário aprofundar as relações culturais, essencialmente do ponto de vista do ensino da língua chinesa.

    Para o historiador, uma das formas de se desenvolver as relações entre a União Europeia e a China é incentivar o intercâmbio de estudantes.

    "Portugal que foi o primeiro país ocidental a ter contactos com a China tem de agarrar agora a oportunidade de ser um parceiro estratégico e tornar-se mais influente a nível cultural. Portugal é um dos países que tem menos instituições direccionadas para a difusão da língua e da cultura chinesa", adiantou.

    "Fomos os primeiros a fazer gramáticas e dicionários da língua chinesa e actualmente não temos escolas dedicadas ao ensino desta, como acontece na França, nos Estados Unidos ou no Reino Unido", afirmou, num incentivo ao Estado português para que aumente a cooperação nesta área.

    Segundo Rui Lourido, a própria Espanha tem investido imenso na área da cooperação cultural com uma China em ascensão.

    "Em Espanha, Itália e França há dezenas de centros dedicados à sinologia e virados para interesses contemporâneos", apontou.

    Rui Lourido referiu ainda que no início de Outubro decorreu em 23 cidades europeias um fórum Europa-China, que contou com a União Europeia entre os seus patrocinadores e teve como objectivo fortalecer o diálogo entre as duas partes a todos os níveis, incluindo o cultural.

    Este fórum permitiu a realização de 46 conferências sobre os vários desafios e pistas para aprofundar a cooperação.

    A União Europeia é o maior parceiro comercial da China, um país com um papel cada vez mais activo na cena internacional que vai organizar os Jogos Olímpicos em Pequim em 2008 e uma Exposição Internacional em Xangai em 2010.
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.