Açoriano Oriental
Quando os clubes 'grandes' têm problemas com a Justiça

Ao longo de mais de uma década, mais exatamente de 2004 a 2017, o FC Porto esteve no centro das atenções da Justiça portuguesa, quando esta passou a olhar também de forma atenta para o mundo do futebol.

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Foto: ESTELA SILVA
Autor: Lusa/Ao online

Primeiro, foi o 'Apito Dourado', depois o 'Apito Final', a sua derivação para a justiça desportiva, que finalmente teve o seu epílogo já ano passado, deixando Jorge Nuno Pinto da Costa e o seu clube finalmente descansados.

Este ano, tudo mudou, com o Ministério Público e a Polícia Judiciária a apontar para direções que passam sobretudo pelos rivais de Lisboa, Benfica e Sporting, em processos que se vão estender para 2019.

A já proverbial criatividade dos nomes dos casos continua, e agora fala-se do 'E-toupeira' e do 'Cashball', mas há também que contar com o 'Jogo Duplo', o 'Mala Ciao' ou as referências a Luís Filipe Vieira no caso 'Lex'.

Por vontade do Ministério Público, o líder do Benfica é mesmo levado a julgamento, pelo processo que teve as suas 'raízes' ainda em 2017 com a leitura de ‘e-mails’ no Porto Canal, cujo conteúdo principal alegadamente representava um esquema de corrupção para influenciar árbitros a favor do Benfica.

A investigação da PJ começou aí e não parou, até o caso chegar ao momento em que está agora - saber se a SAD do Benfica deve ou não ser levada a julgamento, por um crime de corrupção ativa, um crime de oferta ou recebimento indevido de vantagem e 29 crimes de falsidade informática.

Luís Filipe Vieira, entretanto, fez por se demarcar o melhor que conseguiu do elemento fulcral do caso, Paulo Gonçalves. O seu assessor jurídico, entretanto, afastado, apontado como homem de grande confiança do presidente, é acusado de 79 crimes.

Segundo a acusação, Paulo Gonçalves, enquanto assessor da administração da SAD do Benfica, e no interesse desta, solicitou a dois funcionários judiciais que lhe transmitissem informações sobre inquéritos, a troco de bilhetes, convites e ‘merchandising’.

A acusação do MP considera, ao mesmo tempo, que Vieira teve conhecimento e autorizou essa entrega de benefícios, por parte de Paulo Gonçalves, aos dois funcionários judiciais, a troco de informações sobre processos em segredo de justiça, envolvendo o Benfica, mas também clubes rivais.

Na Luz, é o 'E-toupeira' que mais poderá continuar a minar a imagem do clube em 2019. Na próxima sexta-feira, se não houver mais adiamentos, se saberá no despacho de pronúncia quem vai mesmo a julgamento.

Do lado do rival lisboeta, o ano foi tudo menos de paz, sobretudo com o 'terramoto' que se seguiu ao ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete, e que acabou por levar à queda do presidente, Bruno de Carvalho.

Também ele poderá vir a responder em tribunal, em 2019, se o Ministério Público prosseguir no caminho que o liga ao caso, que segue com quase quatro dezenas de presos preventivos, elementos da claque Juve Leo. Bruno Carvalho e 'Mustafá', o líder da claque, chegaram a ser detidos, mas ficaram em liberdade, após pagar caução.

Não se ficam por aqui os problemas com a justiça para os 'leões', também a braços com o 'Cashball', em que a investigação procura provar viciação de resultados no futebol e também no andebol.

O processo ainda está em segredo de justiça, podendo haver acusação, arquivamento ou suspensão do processo. Como principal figura aparece André Geraldes, um homem próximo de Bruno Carvalho, que o escolheu para 'team manager' do futebol leonino.

Geraldes chegou a estar detido, em maio, e foram-lhe aplicadas várias medidas de coação que, entretanto, expiraram em novembro. Tendo saído do Sporting a meio do verão, e de novo livre de contactar com pessoas do meio, acabaria por ser contratado para funções idênticas no Farense.

O antigo 'team manager' do Sporting continua como arguido, assim como mais seis pessoas ligadas ao futebol, mas também ao andebol do clube.

De resultados falseados também se fala no 'Jogo Duplo', que levou a julgamento oito antigos jogadores do Oriental, ex-futebolistas do Oliveirense, Penafiel e Académico de Viseu e ainda dirigentes, empresários e pessoas ligadas ao negócio das apostas desportivas.

Situação com alguma proximidade poderá ser a do 'Mala Ciao', que no ano que agora acaba levou a investigação a 'visitar' Desportivo das Aves, Vitória de Setúbal, Paços de Ferreira e Marítimo.

Em caso estará a alegada compra de passes de jogadores como forma de contrapartida de corrupção desportiva e pagamento de incentivos a equipas adversárias em caso de vitória contra o FC Porto - e aqui novamente com o Benfica no foco da investigação.

O ano já não tinha começado bem para os 'encarnados', já que a PJ fizera buscas na Luz e em casa de Vieira logo em janeiro, aqui para um processo fora do meio do futebol, o caso 'Lex'.

Luís Filipe Vieira foi constituído arguido nessa operação, que investiga suspeitas de corrupção, tráfico de influências, recebimento indevido de vantagens, branqueamento e fraude fiscal. O juiz Rui Rangel é a figura central deste caso.

Quanto ao FC Porto...seria mesmo o primeiro ano em muitos sem ter nada a ver com justiça, não fosse o Benfica ter avançado com queixas contra os dirigentes da SAD e outras pessoas, no seguimento da divulgação dos ‘e-mails’ pelo Porto Canal, a 'semente' do agora mediático 'E-toupeira'.


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