Qualidade do ar de 600 lares portugueses começa hoje a ser avaliada


 

Lusa/Ao online   Nacional   29 de Nov de 2007, 05:22

A qualidade do ar em 600 lares portugueses começa hoje a ser analisada para avaliar a perigosidade dos ambientes fechados, com base em estudos que afirmam que aquele ambiente pode ser mais nefasto para a saúde que o ar respirado nas ruas.
A sociedade actual passa mais de noventa por cento do tempo em espaços fechados, que podem apresentar níveis de poluentes muito superiores ao ar exterior, contou à Lusa Carlos Nunes, Diorector do Centro de Imunoalergologia do Argarve.

    De acordo com trabalhos internacionais, "cerca de 20 por cento da população sofre de asma ou outras alergias causadas por substâncias tipicamente presentes em ambientes fechados". Um problema que preocupa as organizações ligadas às doenças respiratórias que até agora não tinham qualquer estudo que reflectisse a realidade nacional.

    Hoje a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e o Instituto UCB de Alergia (IoA) lançam um "estudo epidemiológico inédito": monitorizar a qualidade do ar em 600 lares portugueses de todo o país durante seis meses.

    "Doenças como alergias respiratórias, asma, cancro do pulmão e outras patologias são as mais relacionadas com a poluição atmosférica. Tornava-se imperativo analisar a qualidade do ar dos ambientes fechados que os portugueses respiram, a fim de serem tomadas medidas que diminuam eventuais efeitos nefastos para a sua saúde", explicou Carlos Nunes, Alergologista e representante do Instituto UCB de Alergia.

    Actualmente, cerca de um milhão de portugueses sofre de asma. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é a quinta causa de morte na Europa e as rinites alérgicas atingem um em cada quatro portugueses. Um cenário que preocupa aquelas duas entidades.

    "Nas últimas décadas tem-se assistido a uma crescente prevalência de doenças respiratórias, principalmente nas populações urbanas, o que pode estar amplamente associado a factores existentes no interior das habitações. Animais domésticos, ácaros, fungos, alterações na humidade do ar, partículas em suspensão e o caudal da ventilação do ar podem causar inflamação das vias respiratórias superiores e inferiores", afirmou Mário Morais de Almeida, presidente da SPAIC.

    Nos próximos seis meses, uma equipa de técnicos vai visitar as 600 habitações recorrendo a equipamentos com sensores específicos. Além de medir o nível de vários poluentes, será feita uma caracterização das condições gerais das habitações e do estado de saúde dos moradores. Os resultados serão conhecidos em Junho de 2008.

    Existem factores externos e internos que afectam a qualidade do ar dos lares. Poluentes exteriores como o pólen, emissões provocadas pelo trânsito e pela indústria, entram nos edifícios através de janelas abertas e sistemas de ventilação.

    Mas também há inúmeros poluentes interiores: fumo de tabaco, micróbios, combustões de aquecedores a gás ou fogões, sistemas de aquecimento, produtos de limpeza, alcatifas e carpetes, animais de estimação e até o próprio odor corporal e dos dos cosméticos.

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