Saúde

Pulsação acima dos 70 batimentos por minuto aumenta em 40% risco de enfarte


 

Lusa/AO online   Nacional   31 de Ago de 2008, 23:15

Uma pulsação acima dos 70 batimentos por minuto (bpm) aumenta em 39 por cento o risco de enfartes nos doentes coronários, indica um estudo apresentado hoje no Congresso Europeu de Cardiologia, a decorrer em Munique

A investigação envolveu cerca de 11 mil doentes coronários de 33 países, entre os quais 60 portugueses, e segundo o coordenador do estudo em Portugal, Ricardo Seabra Gomes, "nunca se tinha mostrado, de modo prospectivo, que a frequência cardíaca influencia as complicações da doença coronária". Em estudo estiveram doentes coronários com má função ventricular esquerda, que pode ser uma consequência de um enfarte.
Com a pulsação acima dos 70 bpm, estes pacientes têm um risco acrescido em 34 por cento de morte cardiovascular, 46 por cento de enfarte do miocárdio, 56 por cento de insuficiência cardíaca e 38 por cento de ter de fazer uma revascularização.
A revascularização passa pela dilatação das artérias através de angioplastia ou cirurgia e acontece quando persistem queixas mesmo depois do doente estar medicado.
"O esforço faz o coração trabalhar mais e se as artérias estão doentes haverá consequências", resumiu o médico especialista.
Com o controlo da pulsação, através de medicamentos, este estudo demonstrou uma baixa do risco de enfarte em 36 por cento e de revascularização em 30 por cento.
O estudo não confirmou a redução por internamentos em doentes coronários com insuficiência cardíaca.
Para mais conclusões, espera-se o final de dois estudos: um envolvendo apenas doentes com insuficiência cardíaca e um outro feito em doentes coronários.
"A frequência cardíaca é a linguagem do corpo. É o corpo a comunicar com o médico e deve ser um marcador de prognóstico e um óptimo guia no tratamento médico", comentou um dos responsáveis pelo estudo, o presidente eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia, Roberto Ferrari.
O estudo, denominado Beautiful, passou pelo acréscimo de mais uma substância activa (ivabradine) ao tratamento de doentes coronários, que na sua maioria estava a receber terapêuticas segundo as recomendações médicas.
A doença coronária pode manifestar-se sob a forma de angina de peito, enfarte ou morte súbita, nomeadamente por arritmia.
Segundo dados relatados por um outro investigador, Gabriel Steg, em cada 26 segundos uma pessoa sofre um evento coronário e a cada minuto regista-se uma morte derivada desta condição.
Portugal tem apresentado taxas mais reduzidas de mortalidade por doenças coronárias quando comparado com outros países com as mesmas características, como os países mediterrânicos.
Um dos factores que tem sido avançado como justificação, lembrou Seabra Gomes, é o eventual mau preenchimento de certidões de óbito.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.