Dia Mundial da Música

Público e músicos trocam de lugar

Público e músicos trocam de lugar

 

Lusa / AO online   Nacional   1 de Out de 2007, 16:03

Público no palco e 550 músicos a tocar e a cantar na plateia. Foi esta a forma original que a Casa da Música (CdM), no Porto, encontrou para comemorar o Dia Mundial da Música.

"A festa é dos próprios músicos. Durante o ano, a CdM está aberta ao público. Hoje, está aberta aos músicos", disse à agência Lusa o administrador-delegado da Casa da Música, Nuno Azevedo.

Para assinalar a data, a CdM criou a "Orquestra do Dia", uma formação efémera que apenas existirá até ao fim do dia de hoje.

Ao todo, são cerca de 550 músicos, de todas as idades, na grande maioria amadores que participaram em "workshops" do Serviço Educativo da CdM.

"É uma experiência fantástica, na medida em que nos permite ver como o investimento no serviço educativo numa casa como esta é mobilizador e muito reprodutivo", disse a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, pouco depois de percorrer algumas salas onde decorriam os ensaios.

Isabel Pires de Lima, que apenas se recorda de ter assistido a uma experiência semelhante em S. Paulo, Brasil, envolvendo 300 crianças, considerou a reunião desta "orquestra ad-hoc" uma "boa forma de celebrar o Dia da Música".

Pouca gente vai poder assistir ao concerto, marcado para as 19:00, até porque a bancada do coro do palco do Grande Auditório da CdM está coberta por um painel, mas a experiência será gravada em áudio e vídeo para a realização de um documentário a exibir publicamente em data a anunciar.

O primeiro ensaio geral da "Orquestra do Dia", dirigida pelo compositor britânico Tim Steiner, juntou todos os músicos no Grande Auditório/Sala Suggia, pressagiando já o ambiente de festa que se iria viver.

Após alguns ensaios com percussão e coro, os 550 músicos dividiram-se pelos diversos espaços do edifício, em grupos de especialidade.

"Esquece. Isto não é música clássica", diz a orientadora do grupo de cordas, num português com sotaque denunciador de ser estrangeira.

"Logo, não fazem mais nada. Só olham para o que o Tim [Steiner] manda. É completamente livre. Não ficas aflita. Só ficas de olho nele", gritou.

Numa sala mais à frente, o orientador do grupo de metais dá instruções idênticas: "Nós andamos a estudar para fazer tudo perfeito, mas aqui o que se quer é uma coisa completamente diferente".

O músico pede que cada um toque o que lhe apetece. O resultado faz lembrar um prolongado período de afinação de instrumentos antes de um concerto de música clássica. A única diferença é que aqui há um maestro que conduz a intensidade da afinação.

De regresso ao Grande Auditório, alguns jovens ensaiam movimentos em estilo "break-dance". Ao fundo, junta-se um grupo mais heterogéneo, de onde sobressaem acordes fortes das guitarras eléctricas, num som que oscila entre o rock e o blues.

Atendendo à escassa experiência de muitos dos músicos, os ensaios são pouco exigentes, mas nem por isso complexos.

É que, além de se prepararem para o concerto, os músicos têm de ensaiar o que vão tocar e cantar antes, numa "performance-percurso" por vários espaços da CdM.

"No [espaço] número oito, cada um de nós vai tocar a peça de que mais gosta", diz um dos orientadores, provocando espanto e hesitação entre a maioria dos músicos.

Para a história, fica uma "Orquestra do Dia" com 554 músicos e oito bailarinos, num total de 72 cordas, 29 metais, 55 sopros, 109 percussionistas, 44 instrumentos amplificados, acordeões e harmónicas e 245 vozes.


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