PSD/Açores considera "urgente" que Azores Airlines retome processo de privatização

O líder do PSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, defendeu esta terça-feira que é urgente retomar o processo de privatização da companhia aérea açoriana Azores Airlines, responsabilizando o presidente do Governo Regional (PS) pelos prejuízos do grupo SATA no primeiro semestre do ano.



“Neste momento, o mais urgente é retomar-se o processo de privatização dos 49% para que este processo fique resolvido o quanto antes. E depois tem de haver uma administração capaz e que, acima de tudo, perceba do negócio e que não seja só um capricho do presidente do Governo [Regional] a nomear pessoas que pouco ou nada percebem do setor”, adiantou, em declarações à Lusa.

As duas companhias aéreas da SATA registaram no primeiro semestre de 2019 um prejuízo de 27,9 milhões de euros, cabendo à Azores Airlines - que voa de e para fora dos Açores - a maior fatia (25,4 milhões), segundo revelou, esta segunda-feira, em conferência de imprensa, o presidente do conselho de administração da empresa, António Teixeira.

Sem uma recapitalização e a "implementação cabal" de várias medidas, admitiu ainda António Teixeira, o grupo SATA "terá sérias dificuldades em apresentar resultados positivos", o que condicionará um "serviço de transporte aéreo mais eficiente e competitivo".

Para o líder regional social-democrata, estes números comprovam que o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, “falhou novamente”.

“Desde que Vasco Cordeiro é presidente do Governo, a SATA está literalmente a afundar-se num buraco sem fim”, afirmou, acusando o presidente do executivo açoriano de ser “o grande responsável” pela situação atual da empresa.

Segundo Alexandre Gaudêncio, o rumo que a empresa está a tomar merece “preocupação”, porque só no primeiro semestre do ano já foi ultrapassado o volume de prejuízo previsto para todo o ano.

“Foi dito publicamente no ano passado que o ano de 2019 teria metade dos prejuízos que a SATA teve em 2018. Só no primeiro semestre deste ano já se ultrapassou toda a previsão que se tinha para o ano todo de 2019”, avançou.

O líder do PSD/Açores considerou que a situação financeira do grupo SATA resulta de “uma política errada de estratégia de promoção dos Açores em outros destinos, que em nada favoreceram os açorianos”.

“Primeiro estão os Açores e primeiro estão os açorianos. Nós temos percorrido todas as ilhas e temos inúmeros casos de pessoas que não conseguem sair das suas ilhas por razões diversas, desde a questão da saúde, por exemplo, em que há muita gente que não consegue ir a uma consulta de urgência fora da sua ilha, porque não há lugar nos aviões”, apontou.

Nesse sentido, disse ser “urgente” que a empresa retome o processo de privatização de 49% da Azores Airlines e que dê “estabilidade aos mais de 1400 funcionários”.

“Este assunto está no segredo dos deuses e não se sabe neste momento o ponto de situação”, criticou.

Em 2018, a SATA registou um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.


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