“Precisamos de mais companhias, mais voos, mais lugares e ligações durante todo o ano. Isso não interessa apenas ao turismo. Mais companhias significam mais concorrência. Mais concorrência cria condições para maior escolha e para preços mais competitivos e isso é fundamental para os açorianos”, afirmou a deputada Marlene Damião.
A socialista falava no plenário da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, na Horta, na abertura do debate de urgência solicitado pelo PS sobre “políticas públicas de incentivo ao turismo”, numa altura em que as dormidas estão a cair há 11 meses consecutivos na região.
Marlene Damião afirmou que o “regresso da Ryanair deve ser uma prioridade”, já que a companhia abandonou a região em março, mas considerou que os “Açores não podem depender de uma única transportadora”.
“O setor precisa de planeamento, previsibilidade e continuidade e não de apoios suspensos nem de decisões tomadas quando os problemas já produziram consequências”.
A socialista considerou “preocupante” a situação da associação Visit Azores (organização responsável pela promoção turística), liderada por Nuno Leandro.
“O presidente do conselho de administração, Nuno Leandro, praticamente não exerce funções. O Governo [Regional], no meio da sua passividade, lava as mãos. Esta situação evidencia a omissão do Governo e a sua incapacidade para garantir uma liderança efetiva numa organização estratégica para o turismo regional”, insistiu.
Para Marlene Damião, a “promoção turística dos Açores não pode ficar refém da inação, nem os empresários podem continuar a pagar o preço da falta de liderança”.
A deputada lembrou a proposta do PS aprovada no parlamento açoriano para a criação de um Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas, cuja implementação está a aguardar a aprovação da Comissão Europeia, segundo o Governo Regional.
“O tempo de decisão da Comissão Europeia não impede o Governo de preparar a regulamentação e definir o financiamento. O Governo não pode usar os procedimentos administrativos como desculpa para a inação. Os Açores não precisam de mais anúncios sobre aviões. Precisam de aviões a voar”, reforçou.
Marlene Damião alertou que a “despesa executada com a promoção turística caiu para menos de metade entre 2022 e 2025” e criticou a falta de estratégia para o setor.
“É preciso saber que estratégia turística queremos para os Açores e como estamos a promover as nossas ilhas nos mercados que nos interessam e também aqui o Governo prima pela ausência, pela inatividade, pela passividade”, afirmou.
Os Açores registaram, pelo décimo primeiro mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos, em agosto, com uma quebra de 2,6% face ao período homólogo.
