Professores de várias escolas pedem suspensão do processo de avaliação


 

Lusa/AO   Nacional   23 de Out de 2008, 06:18

Professores de várias escolas aprovaram moções e abaixo-assinados a exigir ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho, segundo sindicatos e professores contactados pela Agência Lusa.
Segundo Lucinda Manuela, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), "em 17 a 20 escolas ou agrupamentos de escolas" já foram aprovadas pelos professores tomadas de posição a pedir a suspensão do processo de avaliação de desempenho.

    "Até ao momento temos conhecimento através de professores nossos associados deste número de escolas, mas acreditamos que possam existir mais. Vai ser o efeito de bola de neve", afirmou a dirigente sindical, em declarações à Agência Lusa.

    A responsável adiantou que os sindicatos de professores transmitiram quarta-feira à tutela, na reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação de desempenho, as suas "preocupações" sobre o que se está a passar nas escolas.

    "Muitas escolas estão com grandes dificuldades em operacionalizar este modelo. Sempre dissemos que era um modelo inexequível", acrescentou.

    Segundo Lucinda Manuela, o Director-Geral dos Recursos Humanos Educativos afirmou na reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo que "não tinha conhecimento formal da situação, nem sequer dos motivos invocados pelas escolas".

    Também o presidente da Federação Nacional do Ensino e Investigação (FENEI), Carlos Chagas, admitiu à Lusa que tem conhecimento de que em "algumas escolas" os professores suspenderam os procedimentos e que noutras aprovaram moções nas quais exigem a suspensão da aplicação do modelo.

    Foi o que aconteceu no agrupamento de escolas de Poiares, onde 116 dos 130 professores pediram a "revogação imediata" do despacho que institui a avaliação de desempenho e de toda a legislação "conexa".

    Em declarações à agência Lusa, a presidente do Conselho Executivo e primeira signatária do abaixo-assinado afirmou que os professores já andam "deprimidos, extremamente cansados e desmotivados", garantindo que o tempo disponível para os alunos "é diminuto".

    Pela Internet, em blogues dedicados à educação, circulam vários documentos dirigidos sobretudo aos conselhos pedagógicos a pedir a suspensão do processo de avaliação de desempenho e também relatos de professores.

    No Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares, por exemplo, os docentes consideram, numa moção, que a aplicação do modelo é "inexequível, por ser inviável praticá-lo segundo critérios de rigor, imparcialidade e justiça" e que "não contribui nem para o sucesso dos alunos, nem para a qualidade do trabalho pedagógico que os professores pretendem".

    "Assenta numa perspectiva desmesuradamente burocrática, quantitativa e redutora da verdadeira avaliação de desempenho dos docentes. Pela sua absurda complexidade, não é aceite pela maioria dos professores deste país, não se traduzindo, por isso mesmo, em qualquer mais-valia pessoal e/ou profissional", lê-se no texto da moção a que a Lusa teve acesso.

    Na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Vila Real, 130 dos 160 professores decidiram mesmo suspender o processo de avaliação, não entregando os objectivos individuais.

    Na moção aprovada, os professores daquele estabelecimento de ensino referem que os objectivos de todos os docentes estão definidos e passam, indiscutivelmente, pelo sucesso dos seus alunos, segundo a professora Delfina Rodrigues, em declarações à agência Lusa.

    O responsável pelo blogue "A Educação do Meu Umbigo" afirmou à Lusa que nas últimas semanas foram-lhe enviadas entre 12 a 15 tomadas de posição contra o modelo de avaliação de desempenho, mas sublinhou que "só publica aquelas que chegam datadas e com um remetente claramente identificável": “Tomadas de posição em processo de recolha de assinaturas e outras de departamentos, órgãos de gestão e professores a pedir a suspensão da avaliação de desempenho. Em alguns casos, a suspender mesmo a avaliação", garantiu Paulo Guinote.


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