A produção de energia renovável nos Açores está a apresentar um menor
peso na energia total produzida. No primeiro semestre de 2026, 31,5% da
energia dos Açores foi gerada através de fontes renováveis, apresentando
um decréscimo de 5,2% relativamente aos primeiros seis meses de 2025,
em que o peso das energias renováveis foi de 36,7%.
Em sentido
inverso, a produção total de energia na região aumentou em 3,3 pontos
percentuais, atingindo os 437,8 gigawhatts-hora. Estes dados mostram que
a produção de energia através de combustíveis fósseis está a crescer a
um ritmo mais elevado do que a produção de energia limpa.
Segundo dados revelados pela APREN, associação que tem como objetivo promover as energias renováveis no setor da eletricidade, dos 68,5% de energia fóssil produzida, praticamente 60% é proveniente do fuelóleo, um composto obtido através da destilação do petróleo. O restante da energia não renovável é produzido através do gasóleo.
Relativamente às energias renováveis, mais de metade da energia limpa dos Açores é de origem geotérmica, apresentando 18,8% do peso total de energia gerada. Segue-se a energia eólica com 7,8%, a energia hídrica com 4% e a bioenergia com pouco menos de 2%. A energia solar, apesar de ser utilizada, apresenta apenas valores residuais.
Estes dados colocam os Açores atrás das outras regiões do país. A produção de energia limpa assume um peso de 46,1% da energia total da Madeira, enquanto que no continente o peso é de 70,5%.
A nível nacional, a energia solar liderou a produção de eletricidade, representando 25,8% do total de geração energética. A tecnologia hídrica ocupou a segunda posição, com 21%, seguida pela energia eólica, com 17,7%. A bioenergia representou aproximadamente 6% do total.
Relativamente à produção de energia não renovável, a grande maioria foi gerada através de gás natural, contabilizando 14,1% do peso total.
Analisando o acumulado dos primeiros sete meses do ano, a incorporação renovável na produção elétrica alcançou os 75%, valores que colocam Portugal no quarto lugar entre os países europeus analisados. No pódio surgem a Noruega com 97,3%, a Dinamarca com 94,3% e a Áustria com 78,9%.
Durante este período, foram registadas 694 horas não consecutivas em que a produção renovável foi suficiente para assegurar a totalidade do consumo de eletricidade em Portugal continental, o equivalente a cerca de 29 dias completos.
No mercado elétrico, o preço estabelecido em Portugal fixou-se em cerca de 57 euros por cada megawhatt-hora consumido, posicionando o país “entre os mercados com eletricidade mais competitiva na Europa”. Este contexto regista uma descida média de 10,0% face ao preço homólogo de 2025.
Entre janeiro e julho, a produção renovável permitiu a Portugal evitar a importação de 667 milhões de euros em gás natural e de 374 milhões de euros em eletricidade. Na vertente ambiental, pouparam-se 423 milhões de euros em licenças de emissão de dióxido de carbono.
Susana Serôdio, coordenadora de políticas e inteligência de mercado da APREN, destaca que “o mês de julho representa um marco histórico para o nosso sistema elétrico”.
A dirigente explica que o facto de a energia solar ter assumido a liderança na produção de eletricidade nacional reflete o “dinamismo e a forte aposta” que tem sido feita na tecnologia em questão.
Apesar dos bons resultados obtidos a nível nacional, a mesma alerta que é necessário “acelerar os processos de licenciamento e desenvolvimento de novos projetos renováveis em Portugal”, de modo a continuar a potenciar a produção de energia proveniente de fontes limpas.
“É o único caminho
para garantirmos a transição energética do país de forma competitiva,
sustentável e sem atrasos”, finalizou a coordenadora de mercado da
APREN.
