Problemas sociais persistem no Brasil apesar do recente protagonismo internacional


 

Lusa / AO online   Economia   17 de Out de 2009, 13:25

Os problemas sociais do Brasil, como pobreza e analfabetismo, persistem apesar do recente protagonismo internacional do país, ainda que alguma melhoria tenha sido registada nos últimos anos.

A distância entre ricos e pobres é de tal forma grande que os milionários chegam a gastar em três dias o mesmo que os menos favorecidos em um ano, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA), órgão ligado à Presidência da República.

No ano passado, apenas um por cento dos cerca de 190 milhões de habitantes estava no topo da pirâmide social, desigualdade que pode ser medida pelo índice Gini, com variação entre 0 a 1.

No Brasil, o Gini teve uma quebra de 0,594 em 2001 para 0,544 no ano passado, o que significa que o país levará mais 20 anos para atingir 0,40, patamar considerado justo pelos padrões internacionais.

“Apesar da diminuição dos abismos sociais desde 2001, o Brasil continua a ser um monumento às grandes desigualdades", afirmou Sergei Moraes, investigador do IPEA, responsável pelo estudo.

No Brasil, os 10 por cento mais ricos da população controlam 43 por cento da riqueza nacional, enquanto os 10 por cento mais pobres ficam com apenas um por cento.

Uma das formas de diminuir a desigualdade social é aumentar os investimentos em políticas públicas direccionadas aos mais pobres, designadamente na área da educação, segundo o especialista.

Actualmente, mais de 14 milhões de jovens e adultos não sabem ler nem escrever, total que representa um em cada 10 brasileiros com idade acima de 15 anos.

Dados do Ministério da Educação indicam que o número de analfabetos diminuiu apenas 13 por cento, entre 2004 e 2008, ritmo abaixo das projecções oficiais, apesar dos investimentos públicos.

Em algumas regiões do Brasil, entretanto, a percentagem de jovens e adultos que não sabe ler e escrever aumentou, no ano passado, nomeadamente em Brasília e em 11 estados.

Brasília registou o maior aumento (oito por cento), enquanto em São Paulo, o estado mais rico e populoso, a taxa aumentou três por cento entre 2007 e 2008.

Nos últimos anos, o Governo brasileiro alargou programas de transferência directa de rendimento, com a concessão de benefícios sociais a famílias carenciadas.

Um dos principais, a Bolsa Família, beneficia actualmente cerca de 11,5 milhões de famílias carenciadas, nomeadamente no Nordeste do país, com quantias mensais de cerca de 38 euros.

Criado pelo ex-presidente Fernando Henrique e alargado pelo actual presidente Lula da Silva, o Bolsa Família transformou-se no principal programa oficial de transferência directa de rendimento.

Nos últimos anos, o Brasil registou uma melhoria no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas permaneceu estável no ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), na 75ª posição dentre 182 países.

Com variação entre 0 a 1, o IDH do Brasil passou de 0,808 para 0,813, entre 2006 e 2007, sendo que um valor acima de 0,800 é considerado nível de alto desenvolvimento humano.

Na liderança, estão países como Noruega (0,971), Austrália (0,970) e Islândia (0,969), enquanto na base encontram-se Níger (0,340), Afeganistão (0,352) e Serra Leoa (0,365).

O relatório mostra que, apesar da diminuição da desigualdade nesta década, o Brasil ainda permanece dentre os dez países mais desiguais, atrás apenas da Namíbia, Ilhas Comores, Botsuana, Haiti, Angola, Colômbia, Bolívia, África do Sul e Honduras.


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