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Presidenciais: “Salazar atrasou-nos muitíssimo” - Ventura

O anunciado candidato presidencial do Chega recusa os rótulos de "extrema-direita, fascista, xenófoba e racista" que muitos atribuem ao seu partido e também qualquer simpatia relativamente ao regime do Estado Novo ou saudosismo pelo ditador Salazar.

 Presidenciais: “Salazar atrasou-nos muitíssimo” - Ventura

Autor: AO Online/ Lusa

Em entrevista à agência Lusa, dada na quinta-feira, André Ventura defendeu que “não é preciso Salazar nenhum em esquina nenhuma”, mas antes uma IV República, e definiu o seu recém-formado partido como sendo “antissistema” e cujo objetivo é transformar Portugal no novo “eldorado da Europa”.

“A República liderada pelo dr. António de Oliveira Salazar, a maior parte do tempo, também não resolveu [os problemas do país] e atrasou-nos muitíssimo em vários aspetos. Não nos permitiu ter o desenvolvimento que poderíamos ter tido, sobretudo no quadro do pós-II Guerra Mundial. Portugal poder-se-ia ter desenvolvido extraordinariamente e ficámos para trás, assim como os espanhóis”, afirmou.

O deputado único do Chega declarou, em tom humorístico, que “não é preciso um Salazar em cada esquina, é preciso é um André Ventura em cada esquina”.

Curiosamente, antes do começo da entrevista no gabinete da sede partidária, em Lisboa, a zelosa assessoria de imprensa nacional-populista retirou da estante que estava atrás do líder partidário vários volumes sobre Salazar para que não aparecessem no enquadramento das imagens.

“Comigo estão à vontade porque não tenho nenhum saudosismo de uma República que eu não vivi. Não é isso que me move. Vejo Salazar como vejo outras figuras da História. Não vou fazer juízos de qual é melhor ou pior: se Salazar ou [Álvaro] Cunhal ou Hitler ou Estaline. Nós, em Portugal, para conseguirmos dar um avanço real na questão política, temos de deixar os fantasmas do passado”, continuou.

André Ventura disse que vai sentir a sua “missão” cumprida “quando um jovem de 24 anos, que viva na Suíça ou em Inglaterra e os pais lhe perguntarem para que país quer ir viver, diga ‘quero ir para Portugal’”.

“Enquanto houver um jovem de 24 anos que me diga que não tem trabalho em Portugal e que quer ir para a Suíça ou Alemanha, eu ainda não cumpri a minha missão. Durante o tempo de Salazar, nos anos de 1960, os portugueses emigraram como nunca para França, Suíça, Alemanha. Quando cumprir [a missão], este país vai ser o polo de atração da Europa, o eldorado da Europa”, prometeu.

Questionado mais uma vez sobre as ligações do Chega a movimentos radicais de direita e as suas raízes ideológicas, o pré-candidato presidencial optou pela designação de “partido antissistema”.

”O Chega tem zonas do país onde os militantes vêm predominantemente do espetro esquerdo, como Setúbal, Beja, Évora, Portalegre. Em Portalegre, é o segundo ou terceiro em termos de sondagens. O nosso eleitorado ali veio do PCP, do BE, algum do PS e, como acontece em todo o lado, do PSD e CDS”, descreveu.

Ventura estimou em “cerca de 25 mil” os atuais membros da sua força política, acrescentando que, “provavelmente, é o terceiro partido em Portugal com mais militantes em termos absolutos, inscritos”.

Na interpretação de Ventura, o Chega é “um partido de direita, na classificação clássica – com uma visão do país de valores, defesa das instituições e do mercado -, mas na lógica antissistema, que é uma classificação mais adequada do que extrema-direita, extrema-esquerda, esquerda, direita”.


 
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