Preocupações ambientais provocam mudanças nos catálogos de funerárias

Preocupações ambientais provocam mudanças nos catálogos de funerárias

 

Lusa/AO online   Nacional   31 de Out de 2013, 09:13

O ritmo e as mudanças de hábitos nas grandes cidades e as preocupações ambientais têm provocado alterações na oferta das agências funerárias, que alargam o catálogo de soluções ecológicas para o momento do funeral.

Paulo Carreira, da Servilusa, sublinha que, como os habitantes das grandes cidades vão deixando de visitar os cemitérios e como se verifica, cada vez mais, o desapego à terra e às sepulturas, a cremação tem vindo a ganhar adeptos.

Este processo tem aumentado gradualmente no país. Em 2012 foram cremados 12.032 corpos em Portugal.

Por outro lado, as empresas funerárias vão aumentando as opções que oferecem aos clientes em termos de urnas e caixões. As preocupações ecológicas estão, cada vez mais, patentes na oferta e na procura.

Para depositar as cinzas no mar ou na terra há soluções em terracota, papel ou com base de sal. Um produto a lançar pela Servilusa tem a forma de uma semente e uma ranhura, onde podem ser colocadas mensagens de despedida em papel reciclado.

Há também os pacotes que incluem a plantação de uma árvore no terreno, no local onde são colocadas as cinzas.

Tendo em conta que a matéria-prima usada nos caixões e nos seus interiores contribui para a contaminação dos solos, desde há algum tempo que já se adota, com regularidade, o procedimento de se retirarem as peças de metal daqueles equipamentos.

A aposta no ambiente, aliada à falta de manutenção das campas também justificam o uso de flores naturais, em vez das artificiais.

Atento às opções mais amigas do ambiente está o inglês Nicolas Robertson.

Com a morte do pai, conheceu os caixões 100% biodegradáveis, feitos em bambu, salgueiro e corda de bananeira, com origem na China e Indonésia.

Tornou-se distribuidor destas urnas e caixões - com garantia de comércio justo - para a Península Ibérica e assegura que é apenas a face comercial de um projeto sociocultural cujo objetivo é “tirar a morte da gaveta”.

“Já tudo isto existe noutros países”, nota o inglês, frisando a utilização de caixões não poluentes e os terrenos para funerais naturais, onde são usados apenas leitores de coordenadas para identificar os locais das campas.

A oferta da sua empresa quer romper com a habitual preocupação que se traduz na pergunta: “o que é que os outros pensam?”.

Com o recente funeral da mulher, Nicolas teve a prova de que os caixões ecológicos podem ser utilizados em Portugal sem problemas burocráticos.

Num país ainda considerado “conservador” nos funerais, o inglês já apresentou o seu catálogo a funerárias, mas percebeu as dúvidas de quem pondera avançar primeiro que os outros nesta área.

“A minha ideia é sociocultural, os caixões são a parte mais visível. Quero um movimento de tirar a morte da gaveta”, admite o inglês, enumerando os objetivos de acabar com tabus.

“Pensar como se vive a morte”, resume Nicolas, admitindo “faltar ainda muito trabalho”, ao mesmo tempo que lembra que os “cemitérios estão cheios e há problemas e contaminações”.


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