"Convidei-a para ir a Cartagena [no norte da Colômbia], mas ela tem medo (…). No dia 24 de abril, irei a Caracas", declarou à imprensa espanhola, em Barcelona, onde participará numa cimeira de líderes de esquerda organizada pelo primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, no sábado.
Este seria o primeiro encontro com o líder colombiano desde que Delcy Rodríguez assumiu a presidência, após a detenção do Presidente Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas em janeiro. As autoridades venezuelanas ainda não confirmaram o encontro.
Em meados de março, a primeira viagem internacional de Delcy Rodríguez foi abruptamente cancelada poucas horas antes da sua chegada prevista a Cúcuta, cidade fronteiriça da Colômbia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Colômbia alegou "razões de força maior" como motivo para o cancelamento da viagem, uma decisão que terá sido tomada por "ambos os governos".
Uma fonte da presidência colombiana disse à agência de notícias AFP que o cancelamento estava ligado a ameaças à segurança, sem especificar de onde partiam estas ameaças.
O próximo encontro, em 24 de abril, acontece quando há uma crescente influência do Presidente norte-americano, Donald Trump, na América Latina, que tem pressionado Gustavo Petro e Delcy Rodríguez.
No caso de Petro, Washington exige uma postura mais dura contra o tráfico de cocaína na Colômbia, que é o maior produtor mundial e os Estados Unidos o maior consumidor. Já Delcy Rodríguez tem sido pressionada para revitalizar a indústria petrolífera do seu país através de reformas favoráveis aos interesses norte-americanos.
Gustavo Petro - que não pode concorrer às eleições presidenciais de maio, mas está a fazer campanha no seu país para manter a esquerda no poder - já foi aliado de Nicolás Maduro e não poupou palavras nas suas críticas a Donald Trump.
Agora, tenta estreitar laços com o novo governo venezuelano, apoiado pelos Estados Unidos, e as suas relações com Donald Trump melhoraram significativamente após vários desentendimentos nas redes sociais.
Gustavo Petro pediu "eleições livres" na Venezuela, propondo, entre outras coisas, que a esquerda e a direita "governem juntas durante algum tempo" num governo nacional de transição, nos moldes "do que aconteceu na Colômbia".
