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PPM quer mais estacionamento para acesso ao comércio tradicional em Ponta Delgada

Na baixa de Ponta Delgada, o líder do PPM/Açores ouviu as dificuldades do comércio tradicional em tempos de pandemia e defendeu a criação de parques de estacionamento para facilitar o acesso e dinamizar a zona.

PPM quer mais estacionamento para acesso ao comércio tradicional em Ponta Delgada

Autor: Lusa/AO Online

“Parece que os conheço”, atira Paula Botelho mal Paulo Estêvão e o cabeça de lista do partido por São Miguel, Paulo Margato, entram numa ótica junto às Portas da Cidade.

Com o confinamento devido à pandemia da covid-19, a “faturação diminui muito”, mas o negócio está “a recuperar”. “Casamentos, batizados e comunhões…não houve nada”, explica a funcionária da Ótica da Matriz, junto à igreja.

Enquanto seguem para outra loja, um cidadão deseja “boa campanha” aos candidatos, junto a um cartaz do partido relativo às eleições regionais de dia 25. “Socialistas, 24 anos a criar pobreza”, lê-se.

No Armazém Soares, Paulo Estêvão, o único deputado do PPM na Assembleia Legislativa Regional, pergunta ao funcionário se as ajudas do Governo Regional têm chegado. O político ainda não tinha acabado a frase e já Cristiano Ferreira respondia: “Não”.

Por ali, o negócio “está fraco”, mas “para já não há risco de encerramento” de uma loja de porta aberta há 60 anos.

Os relatos repetem-se num par de lojas e na Libolã, loja de linhos, bordados e lãs, Silvano Soares queixa-se de mais um problema: as dificuldades de estacionamento na baixa da cidade.

“Até às 10:00 não se devia pagar e a partir das 15:00 também não. É a caça à multa para ganhar dinheiro”, queixa-se.

Para Paulo Estêvão, a acessibilidade “é fundamental para a dinamização do comércio local” na cidade, até porque, se as pessoas não tiverem possibilidade de chegar à zona, será muito difícil os negócios prosperarem.

“Uma das infraestruturas claramente necessárias nesta área, e que podia ser feito através de um protocolos de colaboração entre a Câmara Municipal [de Ponta Delgada] e o Governo Regional, é a criação de um conjunto de parques [de estacionamento] que tornem esta zona da cidade mais acessível”, afirmou.

O cabeça-de-lista por São Miguel concorda e vai mais longe: “A Câmara não ficará alheia à morte do comércio local”.

“A sua política do estacionamento pago, na concessão de parquímetros a uma empresa particular, foi o que estrangulou o acesso da população ao comércio local”, acrescentou Paulo Margato.

Na ourivesaria Rubi, Sandra Vasconcelos também aponta as dificuldades de estacionamento como um dos motivos para a quebra do negócio. “Vamos tendo uns dias melhores e outros piores. Vamos ter de aguentar”, conta, ao mesmo tempo que encolhe os ombros, resignada.

Para o PPM, os Açores precisam de um “grande plano de investimentos” que possa reanimar a economia, sobretudo ao nível de obras públicas.

“Outra coisa essencial é que as pessoas tenham emprego e que tenham rendimentos. Se não tiverem rendimentos não conseguem animar o comércio local”, exemplificou Paulo Estêvão.

Numa das lojas, um dos funcionários, enquanto olha para o panfleto entregue pelos candidatos, traz à conversa a maioria absoluta do PS na região: “Os que têm maioria absoluta estão se a marimbar para outros”, afirma.

Paulo Estêvão concorda e puxa da sua experiência enquanto deputado no hemiciclo regional. Diz que não há exigência no parlamento, que o Governo não se esforça para explicar as medidas e as propostas, “até porque ganha sempre as votações”. No entanto, deixa um alerta: “Estou convencido de que não há maioria absoluta [do PS]”.

“O que é decisivo para alterar o rumo dos acontecimentos nos Açores é que as pessoas que estão descontentes votem”, sublinhou Estêvão, que é também cabeça de lista pela ilha do Corvo, numa coligação entre o PPM e o CDS.

As legislativas dos Açores decorrem em 25 de outubro, com 13 forças políticas candidatas aos 57 lugares da Assembleia Legislativa Regional: PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Iniciativa Liberal, Livre, PAN, Chega, Aliança, MPT e PCTP/MRPP. Estão inscritos para votar 228.572 eleitores.

No arquipélago, onde o PS governa há 24 anos, existe um círculo por cada uma das nove ilhas e um círculo de compensação, que reúne os votos não aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.


 
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