Portuguesa eleita membro da Organização Europeia de Biologia Molecular


 

Lusa/AOonline   Nacional   15 de Out de 2008, 12:01

A bióloga portuguesa Cecília Arraiano foi eleita membro vitalício da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO), uma distinção com "sabor especial" por ser um reconhecimento internacional da carreira científica que desenvolve em Portugal.
"É uma distinção que sempre desejei", disse a investigadora à agência Lusa ao comentar a sua eleição para aquela organização científica europeia dedicada à promoção da excelência nas ciências da vida moleculares.

    Além disso, "traz um sabor especial por ser um reconhecimento internacional da carreira que tenho feito no ITQB (Instituto de Tecnologia Química e Biologia, da Universidade Nova de Lisboa em Oeiras)", acrescentou.

    "No meu país tenho tido muitas dificuldades na minha carreira e são os especialistas estrangeiros quem de facto me têm dado mais valor", afirmou.

    Cecília Arraiano foi eleita pelos membros da EMBO por nomeação proposta por Claudina Rodrigues-Pousada, do ITQB, com o apoio de Cláudio Dunkel, do IBMC (Porto) e de vários cientistas europeus. Torna-se assim o sétimo português a pertencer à organização, que conta entre os seus membros 45 prémios Nobel.

    Ao saudar hoje a sua eleição, juntamente com as de outros 58 cientistas de vários países, Hermann Bujard, director da EMBO, disse que estes investigadores "contribuíram significativamente para o avanço das ciências da vida moleculares".

    Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1982) e doutorada em Genética pela Universidade da Geórgia (EUA), Cecília Arraiano é responsável por um grupo de investigação no ITQB que estuda o papel da maturação e degradação do ARN (ácido ribonucleico) na regulação da expressão génica.

    O ARN é um parente do ADN (ácido desoxirribonucleico), a molécula com que se escrevem os genes.

    "Nos últimos anos a investigação sobre ARN tem sido considerada prioritária por se ter descoberto que através dele se podem curar doenças e até modificar o património genético", disse a cientista à Lusa.

    A sua equipa estuda actualmente a acção de ribonucleases (enzimas que degradam o ARN) em colaboração com parceiros internacionais, contribuindo para um maior conhecimento deste mecanismo regulador da expressão genica.

    Já em 2006, uma equipa de investigadores de que fazia parte Cecília Arraiano publicou na revista Nature um trabalho que desvendava a estrutura tridimensional da ribonuclease II, o que permitiu entender melhor o seu funcionamento.

    Na sua óptica, "muitos processos biológicos não podem ser compreendidos sem se conhecer detalhadamente o metabolismo do ARN".

    E isso porque "a contínua degradação e síntese de ARN possibilita a rápida produção de novas proteínas e permite que os organismos se adaptem ao seu ambiente", sendo que "os níveis do ARN podem regular a síntese de proteína e o crescimento celular".

    "Se pudermos estabilizar em cada célula o número de moléculas de ARN que codificam uma proteína de interesse, então a produção pode ser alterada para uma vasta gama de aplicações de importância biomédica e farmacêutica", afirmou.

    O estudo destas enzimas, dado o seu envolvimento em vários processos, como a divisão celular, pode assim abrir caminho à identificação de alvos para novos medicamentos que regulem a sua função.

    As actividades da EMBO, fundada em 1964, são financiadas pela Conferência Europeia de Biologia Molecular, uma organização intergovernamental que inclui 27 países e a que Portugal aderiu em 1993, passando desde então a contribuir para o seu orçamento de funcionamento.

    Esta adesão permite beneficiar de acesso a bolsas para investigadores, de financiamento para a organização de cursos e seminários, de um prémio anual para jovens cientistas e de apoio na avaliação de projectos de investigação.

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