Políticos utilizam cada vez os meios digitais para comunicar


 

Lusa/AO On Line   Nacional   10 de Nov de 2010, 05:44

Com o “poder” das novas tecnologias, “os políticos recorrem cada vez mais aos meios digitais para o discurso direto”, realçou o mandatário digital da campanha de Cavaco Silva, Diogo Vasconcelos.

À margem do III Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia, que decorreu na segunda e terça feiras na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sob o tema “Novas tecnologias e campanhas políticas”, Diogo Vasconcelos falou à agência Lusa sobre o facto de o Presidente da República ter utilizado o Twitter e o Facebook para comentar o Orçamento do Estado, asseverando que "cada vez mais esses meios" irão ser usados pelos políticos.

Mandatário digital da campanha de Cavaco Silva, que se recandidata ao cargo nas eleições de 23 de janeiro de 2011, o dirigente do PSD e também responsável da empresa de tecnologia Cisco salientou que as “novas tecnologias não substituem os contactos pessoais”, porque “a mensagem tem que ter movimento".

No entanto, considera, a informação em tempo real é mais apelativa e os espaços que eram "traduzidos" pelos jornalistas são agora substituídos "pelo direto no Twitter e no Facebook".

Para Diogo Vasconcelos, as novas tecnologias não substituem os jornalistas, mas, adverte, “a imprensa tem que refazer a sua forma de subsistência”. O objetivo não é “acabar” com os jornalistas mas dar-lhes “melhores meios” para fazer o seu trabalho, frisou.

O Presidente da República tem usado as novas tecnologias para dar e receber mensagens aos portugueses. “Desconheço como será de futuro”, reconhece Diogo Vasconcelos, questionado pela agência Lusa.

Ricardo Jorge Pinto, coordenador do jornal Expresso e outro dos oradores do seminário, realizado no âmbito das Comemorações Oficiais do Centenário da República Portuguesa, disse que a relação entre o sistema político e o cidadão tem sofrido “uma clara transformação com o digital”.

O jornalista falou na “participação democrática e cívica” e na existência dos “infor-ricos e dos infor-pobres”, sustentando que “é como tudo na vida”. No entanto, advertiu, “não há boas ou más ferramentas, o que é preciso é saber usá-las”.

Por seu lado, Stephen Ward, professor da University of Salford, salientou as novas formas de participação democrática e cívica e os novos debates alargados à esfera pública online.

“Há nos ambientes web significativas evoluções, quer ao nível das relações do cidadão com a administração pública, quer ao nível dos casos de grande interação entre as práticas políticas e a esfera pública”, disse.

Já Estrela Serrano, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e investigadora na Universidade Nova de Lisboa, salientou a importância de se repensar o jornalismo, questionando até que ponto “mais informação não poderá ser desinformação”.


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