Política de saúde

"Pai" do SNS acusa médicos que trabalham para empresas de "falta de dignidade"


 

Lusa/AO online   Nacional   21 de Set de 2008, 14:43

António Arnault, autor da lei que criou o Serviço Nacional de Saúde (SNS), está preocupado com o estado “comatoso” em que se encontra a Saúde em Portugal e acusa os médicos que trabalham através de empresas de “falta de dignidade”.
Em entrevista à Lusa, António Arnault questionou a “dignidade da função” de médico dos profissionais que são colocados nos hospitais públicos por empresas que vendem serviços médicos como poderiam fornecer os préstimos de “canalizadores”.
“Os médicos estão a degradar-se”, denunciou, considerando que a culpa não é dos clínicos, mas sim de “um conjunto de circunstâncias”, com o qual os sucessivos governos têm sido “coniventes”.
António Arnault, que é o autor da lei que criou o SNS, através do decreto-lei 56/79, quando era ministro dos Assuntos Sociais, com a tutela da pasta da Saúde, responsabiliza o ex-ministro da Saúde António Correia de Campos de dar “a machadada final” no sistema, ao “acabar com as carreiras médicas”.
“Sem a segurança de uma carreira no Estado, os médicos perderam a sua estabilidade funcional”, disse.
Esta situação, que se aliou à redução da “formação” de médicos, que resultou nos números clausus, veio “esvaziar o SNS de massa humana”, prosseguiu.
Para António Arnault, a saúde está em coma, mas “ainda é possível fazer alguma coisa”. 
A solução passa, na sua opinião, por três respostas da tutela: restabelecimento das carreiras médicas, remuneração condigna e condições de trabalho.
O socialista está convicto de que, “se tiverem condições”, os médicos “regressarão ao SNS”.

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