Médio Oriente

Netanyahu avisa para criação de "regime fascista" em Israel se perder eleições

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, fez um apelo ao voto no seu partido, Likud, nas legislativas de 27 de outubro, para evitar que a esquerda chegue ao poder e que a oposição crie um “regime fascista”



"Não desperdicem os vossos votos. Protejam a direita. Votem no Likud", afirmou Netanyahu numa mensagem em hebraico nas redes sociais, na qual prevê que o afastamento do atual executivo levaria a “um regime fascista” em Israel, impedindo a liberdade de expressão, incluindo o “encerramento da Internet” e do Canal 14, que lhe é próximo.

A generalidade das sondagens coloca em risco a recondução do Likud e do atual executivo em coligação com a extrema-direita, embora nenhum bloco político consiga o controlo do Knesset (parlamento), trazendo incerteza sobre os resultados e as alianças políticas que serão precisas para uma maioria.

Na sua mensagem, reproduzida pela imprensa israelita, Benjamin Netanyahu apelou ao eleitorado para "não desperdiçar" votos em pequenos partidos que podem não alcançar a fasquia mínima de 3,25% para alcançar representação parlamentar e pôr em causa a continuidade do seu Governo.

"Estas eleições serão decididas por cada voto. Não desperdicem os vossos votos em partidos pequenos que podem não atingir o limite necessário, levando a esquerda ao poder", declarou o chefe do Governo e líder do atual partido maioritário.

O dirigente israelita observou que os partidos de esquerda obtiveram a vitória nas eleições de 1992 devido às divisões causadas pelo então primeiro-ministro, Yitzhak Shamir, após as quais o governo seguinte assinou os Acordos de Oslo com a Autoridade Palestiniana.

"Pagámos com milhares de cidadãos assassinados e milhares de vítimas, e ainda hoje enfrentamos este problema, decorrente daquele problema, em que grupos dissidentes de partidos de direita se separaram e derrubaram o governo de direita", afirmou Netanyahu, questionando se "este erro se repetirá".

A mensagem do primeiro-ministro israelita surge na véspera do lançamento de um novo partido, liderado pelo ex-general Ofer Winter, que poderá atrair votos da extrema-direita e enfraquecer as forças políticas dos aliados radicais no Governo.

O ativista e influenciador Yoseph Haddad lançou também um novo partido de direita, ameaçando desviar votos do Likud e dos seus parceiros de coligação.

Estes novos partidos vão juntar-se a outros criados nas últimas semanas, lançados por figuras nacionalistas descontentes com o Likud, embora haja dúvidas se obterão os 3,25% dos votos necessários para terem representação no Knesset.

No entanto, de acordo com uma sondagem publicada no domingo pela emissora pública israelita Kan, o partido de Winter poderá ultrapassar aquela barreira, enquanto o bloco pró-governamental ficaria aquém da atual maioria, conseguindo apenas 52 dos 120 lugares parlamentares.

O bloco dos partidos de oposição consegue eleger 58 deputados, entre divergências das principais forças políticas sobre um acordo de maioria que viabilize um governo.

A maioria das sondagens em Israel coloca o Likud empatado ou logo atrás do seu principal adversário, o partido centrista Yashar, fundado em 2025 e presidido pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot.

A coligação B’Yachad (Juntos), criada este ano pelos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, atual líder da oposição, aparece em terceiro lugar e no quarto figura o Yisrael Beytenu (Israel é a Nossa Casa), partido nacionalista, de direita e secular, liderado pelo deputado Avigdor Liberman, mas ambos seguem longe do Likud e do Yashar.

Os Democratas, partido social-democrata sionista dirigido pelo antigo general Yair Golan, está colocado no quinto lugar nas sondagens e só depois surgem os partidos que têm estado próximos de Netanyahu, incluindo os ultraortodoxos e extrema-direita do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.

Os partidos árabes podem funcionar como desbloqueador das eleições, com resultados acima de dez deputados, mas que podem aumentar desde o anúncio de uma coligação eleitoral formada Hadash, Ta’al e Balad.

Netanyahu confirmou em meados de junho que se iria recandidatar, apesar da queda do seu apoio desde os ataques de 07 de outubro dos islamitas do Hamas de 2023, que deram início a várias frentes de conflito em curso no Médio Oriente, e a situação económica em Israel, além dos processos judiciais que enfrenta por corrupção.


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