Ministro da Defesa diz que África é um paradoxo

Ministro da Defesa diz que África é um paradoxo

 

Lusa/AO online   Nacional   17 de Out de 2007, 12:23

O ministro da Defesa português, Nuno Severiano Teixeira, destacou o "paradoxo" de África ser um continente "riquíssimo" em recursos naturais, energéticos e humanos, e, ao mesmo tempo, enfrentar a pobreza e epidemias.
      "É paradoxal que o continente africano seja riquíssimo em recursos naturais, energéticos e até humanos, ao mesmo tempo que é um continente onde há pobreza, epidemias e problemas de natureza económica e social que são relevantes", salientou Severiano Teixeira.

    O governante português, que falava terça-feira à noite numa conferência dirigida a estudantes universitários de Luanda, referia-se ao papel e ao lugar de África nas relações internacionais, no âmbito de uma visita que hoje terminou a Angola.

    Segundo o ministro, esse paradoxo "leva a que haja também em paralelo um conjunto de outros fenómenos que potenciam os riscos e ameaças que a sociedade internacional hoje enfrenta".

    Nesse sentido, apontou a existência em África de "vários tráficos de natureza ilegal, nomeadamente Estados frágeis, alguns deles Estados falhados que provocam instabilidade, alguns conflitos que põem em causa a estabilidade do continente, a segurança regional, mas que pela natureza da cena internacional, colocam este problema à escala global".

    Em contrapartida, considerou ser "comum" dizer-se que África tem um papel crescente no sistema de relações internacionais.

    Segundo o ministro português, África “é vista de um ponto de vista fundamental e será sempre estratégica para Portugal".

    De acordo com o governante, "os problemas que a paz, a segurança, a estabilidade o desenvolvimento do continente africano vão suscitando são hoje talvez dos problemas complexos e mais difíceis que a comunidade internacional enfrenta".

    "Isso dá-lhe uma importância e um relevo na cena internacional, pois a África central e austral voltaram hoje a ser um lugar de renovado interesse e competição pelas potenciais internacionais exteriores à região", frisou.

    "Hoje, esse interesse das potências exteriores ao continente africano é renovado pelas mesmas razões de sempre, de natureza económica, política e estratégica", referiu Severiano Teixeira.

    O ministro particularizou as razões de natureza económica que se evidenciam com a "crescente importância" dos recursos energéticos, nomeadamente o petróleo e o gás natural que estão disponíveis em África, o acesso à exploração, o transporte desses recursos, designadamente de toda a faixa estratégica do golfo da Guiné, que vai de Cabo-Verde até Angola.

    Nessa perspectiva, Severiano Teixeira referiu que "a instabilidade no Médio Oriente por um lado, e a crescente procura deste recurso por parte de potências emergentes como a Índia e da China, tornam as reservas energéticas africanas centrais do ponto de vista estratégico e importante objecto de interesse das grandes potencias exteriores à região".

    "Isso é verdade para as potências emergentes, mas também é verdade para a União Europeia e para os Estados Unidos da América", disse.

    Segundo o ministro, esse facto torna a cooperação no domínio da segurança "extraordinariamente importante" para os africanos e para as potências externas porque as "vulnerabilidades" no campo energético colocam-se para as duas partes.

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