Mineiros de Aljustrel hoje no ministério da Economia


 

Lusa/AO   Economia   17 de Nov de 2008, 05:15

Uma delegação de trabalhadores da Pirites Alentejanas (PA) desloca-se hoje ao ministério da Economia, em Lisboa, para "tentar obter respostas concretas" sobre a situação da mina de Aljustrel e reivindicar a suspensão imediata das rescisões de contratos.

 "Temos uma reunião no ministério da Economia marcada para as 11:30 [de hoje], mas não sabemos quem nos irá receber", disse à agência Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), Luís Sequeira.

    Segundo o sindicalista, a delegação, composta por membros da direcção do STIM e da Comissão de Trabalhadores da PA, vai "tentar obter respostas concretas sobre a situação da mina de Aljustrel".

    "Vamos também defender a salvaguarda dos postos de trabalho e reivindicar ao ministério da Economia para mandar suspender imediatamente o processo de rescisão de contratos encetado pela empresa, pelo menos enquanto decorre a anunciada negociação para a compra da mina", acrescentou.

    A delegação, continuou o sindicalista, vai também "exigir que sejam anuladas as rescisões de contrato assinadas sob pressão e readmitidos os trabalhadores que foram pressionados a sair da empresa".

    Segundo Luís Sequeira, terça-feira os trabalhadores vão reunir em plenário, agendado para as 15:30, em Aljustrel, para "fazer um ponto da situação" e "decidir formas de luta, se as respostas do ministério da Economia não forem satisfatórias".

    Entre as eventuais formas de luta, Luís Sequeira admitiu a hipótese, "em cima da mesa", de uma deslocação à residência oficial do primeiro-ministro, José Sócrates, em Lisboa.

    A deslocação ao ministério da Economia acontece depois de cerca de 200 pessoas, entre trabalhadores da PA, familiares e população de Aljustrel, se terem concentrado, domingo à noite, numa vigília à porta da lavaria da mina.

    A iniciativa, promovida pelo STIM e que contou com a presença do presidente do município de Aljustrel, José Godinho, serviu para "sensibilizar a opinião pública" e "manifestar a revolta" dos trabalhadores e da população pela suspensão da produção na mina de Aljustrel, explicou Luís Sequeira.

    Durante a vigília, José Godinho, em declarações à Lusa, reivindicou a nacionalização da PA, através de "uma participação decisiva por parte do Estado", à semelhança do que se verificou no Banco Português de Negócios.

    José Godinho defendeu a nacionalização da PA "se não se concretizar a negociação que se diz estar em curso", numa alusão ao anúncio feito quinta-feira à noite pelo ministro da Economia.

    Manuel Pinho afirmou que um grupo internacional de investidores estará "muito interessado" em comprar as minas de Aljustrel e já terá apresentado "uma proposta séria" ao Governo.

    A Lundin Mining, que detém a Somincor (da mina de Neves-Corvo) e a Pirites Alentejanas (mina de Aljustrel), suspendeu quinta-feira a extracção e produção de zinco nos dois complexos mineiros, localizados no distrito de Beja.

    Durante a suspensão, devido à baixa cotação do zinco no mercado e que vai manter-se até que "haja uma recuperação dos preços", a mina de Aljustrel ficará com a produção parada e em situação de manutenção das instalações.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.