Um grupo de cidadãos concentrou-se este sábado de manhã junto à Base das Lajes, na Ilha Terceira, para contestar a eventual utilização da infraestrutura militar em operações relacionadas com o recente ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e pedir maior transparência do Governo português.
A iniciativa reuniu cerca de duas dezenas de pessoas e defende que os Açores não devem ser utilizados como plataforma para operações militares fora dos termos do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, assinado em 1995.
“É importante que o Governo tenha clareza nas suas decisões, e da mesma forma que o Governo tem capacidade de criticar as ameaças de Trump a Espanha, nós acreditamos que o Governo devia ter a capacidade, ter a clareza, de unicamente permitir a utilização da base das lajes quando se trata de operações militares que derivem de organizações que tanto Portugal como os Estados Unidos são membro. A nosso ver não foi esse o caso destas operações militares”, afirmou Laura Alves, membro da organização.
Os manifestantes defendem que o Governo português deve esclarecer a utilização da base, nomeadamente relativamente aos voos registados nos dias 27 e 28 de fevereiro, e garantir que qualquer utilização respeita os limites do acordo bilateral.
A concentração surge no contexto de escalada do conflito no Médio Oriente, após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão no final de fevereiro, que provocaram centenas de mortos e centenas de feridos, segundo balanços divulgados por organizações de socorro e autoridades iranianas.
Entre os episódios mais graves relatados está o bombardeamento de uma escola na cidade de Minab, no sul do país, que provocou dezenas de vítimas mortais entre estudantes.
No manifesto divulgado pelos organizadores, sublinham que rejeitam tanto a escalada militar como o regime iraniano. “Somos também críticos e opositores do regime iraniano autoritário, violador de direitos humanos e que não representa a liberdade nem as aspirações do seu próprio povo. Mas precisamente por rejeitarmos tanto a violência do regime iraniano como as agressões militares de potências externas, não aceitamos narrativas construídas para justificar esta escalada”, lê-se.
“(...) Qualquer resposta que agrave ainda mais o sofrimento civil é moralmente inaceitável. A única saída responsável e sustentável passa por cessar imediatamente a intensificação do conflito, garantir a proteção das populações civis e retomar a via diplomática”, acrescentam.
Apesar das condições meteorológicas adversas e de uma participação reduzida, a organização considera que as preocupações levantadas representam uma parte significativa da população portuguesa e defende que o tema deve ser debatido a nível político
“Nós acreditamos que as considerações que nós trazemos devem ser discutidas de igual forma, por exemplo, na Assembleia da República, mesmo pelo Governo Regional dos Açores e o que nós acreditamos é que estas discussões não estão a ser tidas de modo a ter em consideração a expressão da vontade de todos os cidadãos portugueses. Portanto, nós estamos aqui para trazer esse assunto para a mesa e para garantir de que todos os lados desta conversa são representados e não nos parece que seja essa a posição do Governo até agora”, disse Laura Alves.
A iniciativa terminou com um apelo para que Portugal rejeite a utilização da Base das Lajes em operações militares que contribuam para prolongar o conflito e para que o futuro do Irão seja decidido “pelo próprio povo iraniano”.
Quando questionados sobre quanto tempo permaneceriam em manifestação junto à entrada da Base das Lajes, Laura Alves respondeu: “Nós vamos ficar aqui enquanto for necessário.”
Manifestação junto à Base das Lajes contesta utilização em operações militares contra o Irão
Uma concentração de cidadãos junto à Base das Lajes contestou a eventual utilização da infraestrutura militar em operações ligadas ao ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, defendendo que a Base não deve ser usada fora dos termos do acordo de cooperação e defesa.
Autor: Maria Andrade
