Incêndios

Mais fogos mas menos área ardida até domingo

Mais fogos mas menos área ardida até domingo

 

Lusa/AO online   Nacional   1 de Set de 2008, 18:45

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) registou este ano, até domingo, 8.776 fogos florestais, mais do que no ano passado, que, no entanto, corresponderam a menor área ardida, 8.576 hectares.
Em 2007, tinham-se registado 7.553 ocorrências, que consumiram 12.345 hectares, segundo dados apresentados em Santa Comba Dão, distrito de Viseu, pelo comandante operacional nacional de operações de socorro, Gil Martins.

    Comparativamente à média dos anos entre 1998 e 2007, registou-se uma diminuição de 56,1 por cento do total de ocorrências e de 93,7 por cento do total de área ardida.

    Segundo Gil Martins, “este ano é mais severo em termos de risco de incêndio do que 2007” (ano que teve a severidade mais baixa dos últimos 11 anos), embora seja considerado “um ano normal”.

    Lembrou que a meteorologia é apenas um dos factores relacionados com a propagação dos incêndios florestais e que “o combustível é também determinante”.

    “Podemos ter temperaturas amenas, muito vento. Se tivermos um combustível muito seco os incêndios desenvolvem-se muito rapidamente”, frisou, no final de uma visita à Base de Helicópteros Permanente de Santa Comba Dão.

    O secretário de Estado da Protecção Civil, José Miguel Medeiros, também frisou a necessidade de “desmistificar” a ideia de que os bons resultados obtidos até agora são apenas resultado “da sorte” com as temperaturas, valorizando antes o “planeamento estratégico e táctico” que existe.

    “Temos todo um conjunto de pessoas e de equipamentos que estão devidamente posicionados e comandados de forma inequívoca, sabe-se quem faz o quê em cada momento no terreno”, disse aos jornalistas.

    Segundo José Miguel Medeiros, tal “não acontecia no passado, em que se via por vezes vários corpos de bombeiros, não se sabia quem mandava, cada comandante chegava e não sabia a quem se dirigir”.

    “Hoje tudo isso está clarificado, é trabalhado previamente e quando chega o período crítico não há dúvidas”, garantiu, admitindo, no entanto, que possam ocorrer “episódios dispersos” de problemas de comando, que não valoriza num dispositivo com dez mil pessoas, de diversas entidades e situações profissionais.

    Comparou o dispositivo de combate aos incêndios florestais à "Premier League", lembrando que “também o Manchester United tem uma equipa muito recheada mas não quer dizer que ganhe os jogos todos”.

    “Melhorámos muito ao nível daquilo que podemos prever”, sublinhou, lembrando também que a legislação impede “um conjunto de práticas e de operações que eram feitas um bocado indiscriminadamente”.

    Realçou ainda o facto de, em todos os distritos do país, o tempo de chegada dos meios aos incêndios ser inferior a dez minutos, quando estavam definidos 20 minutos.

    O governante disse estar “orgulhoso do trabalho produzido até agora”, mas frisou não ser “imprudente, irresponsável, ao ponto de achar que tudo está resolvido”, até porque falta um mês para acabar a chamada fase crítica dos incêndios florestais.

    Lembrou que, em anos anteriores, muitos dos grandes incêndios têm ocorrido em Setembro, “sobretudo quando os meses de Julho e Agosto não são tão quentes”.

    “Temos de ter muita atenção. Por isso é que criámos também a fase Delta, que vai até 15 de Outubro”, acrescentou, explicando que, de 30 de Setembro a 15 de Outubro, o dispositivo ficará a 75 por cento do actual.

    O secretário de Estado defendeu a manutenção da aposta na prevenção, no sentido de “reencontrar uma economia em torno da floresta que permita fazer com que ela se baste a si própria”.

    “O ideal é que consigamos, daqui a uns anos, não necessitar de tantos meios de combate, de tantos helicópteros, de tantos homens, para fazer face ao mesmo problema. Isto significará que a nossa floresta está ordenada, a ser produtiva e gera riqueza suficiente para se auto-defender”, frisou.

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