José Roquette diz que Alqueva vai sofrer "maior operação" de sempre de ordenamento do território


 

Lusa / AO online   Economia   15 de Ago de 2008, 20:14

O empresário José Roquette garantiu hoje que Alqueva vai ser alvo da "maior operação" de sempre em Portugal de ordenamento do território e que, ao invés de "oportunidade perdida", deverá ser um "bom exemplo" nacional.
    "O que aqui se está a tentar fazer é a maior operação de ordenamento do território e desenvolvimento regional alguma vez tentada em Portugal", afirmou à agência Lusa, à margem de um seminário realizado hoje em Reguengos de Monsaraz, Évora.

    Por isso, segundo José Roquette, que lidera o Parque Alqueva, um dos três empreendimentos turísticos ligados à albufeira do mesmo nome projectados para Reguengos de Monsaraz, o desenvolvimento turístico da zona acarreta "enorme responsabilidade".

    "Temos que ser capazes de estar à altura", asseverou, defendendo que Alqueva "não pode ser uma oportunidade perdida" e os empresários não podem ser empurrados a "fazer qualquer coisinha", exigindo-se "ambição e visão".

    Alqueva, frisou, é "uma zona extensíssima" do território nacional que "esteve sempre abandonada", comparativamente com as perspectivas do litoral, "onde Portugal parece privilegiar-se".

    Daí que, esta operação de "reordenamento" deve ser "um bom exemplo" para outros pontos do país, sustentou o empresário, traçando as diferenças relativamente ao Algarve, região onde disse sentir, "cada vez mais, o peso dramático de uma oportunidade perdida".

    "O Algarve podia ter sido uma oportunidade ganha, mas, salvo alguns pequenos oásis, é hoje um destino turístico de qualidade média/baixa. Se pensarmos que essa é a oportunidade para o Alqueva, enganamo-nos redondamente. Pode ser o caminho fácil, mas é o caminho errado", alertou.

    O Parque Alqueva, que prevê mil milhões de euros de investimento e é promovido pela Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações (SAIP), vai "respeitar a identidade do Alentejo", dirigindo-se ao "mercado global" e apresentando "níveis de qualidade absolutamente acima do que é habitual" em Portugal, afiançou.

    "A personalidade única e a postura muito específica do Alentejo têm que prevalecer. Não faria qualquer sentido que puséssemos aqui algo que, tanto podia estar no Alentejo, como na Califórnia", afirmou.

    Apesar da arquitectura tradicional das valências do empreendimento, cujas obras poderão vir a arrancar "em Setembro", segundo o empresário, o Parque Alqueva vai ter, "no interior, o que de mais avançado existe em termos tecnológicos".

    "Por exemplo, vamos ter pela primeira vez em Portugal três alimentações diferentes de água, uma potável, outra para utilizações secundárias que não impliquem o contacto directo com o ser humano e uma última para regar as zonas verdes", avançou.

    Projectado para três herdades, o Parque Alqueva prevê aldeamentos turísticos, hotéis, campos de golfe e de férias, unidades de saúde, agricultura biológica, centro equestre, de conferências e de desportos náuticos, entre outras valências.

    Os outros dois projectos turísticos para Reguengos de Monsaraz, a Herdade do Barrocal, do grupo Aquapura, com 140 milhões de euros de investimento, e o Vila Lago Monsaraz, da Imoholding, de 160 milhões de euros, também foram hoje abordados no mesmo seminário.

    Os três promotores anunciaram ainda a criação da Associação das Empresas Turísticas de Alqueva (AETA), cujos estatutos vão começar a ser preparados e à qual podem aderir todos os empresários com projectos para a zona.

    "O objectivo é defender a qualidade de Alqueva e estabelecer, não padrões exclusivos, mas mínimos, para evitar que, numa segunda fase, algo de menor qualidade possa vir a proliferar e prejudique a imagem global que queremos para Alqueva", disse José Roquette.

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