Literatura

Hermano Saraiva propõe nova interpretação de "Os Lusíadas"

Hermano Saraiva propõe nova interpretação de "Os Lusíadas"

 

Lusa / Ao online   Nacional   14 de Out de 2007, 11:53

José Hermano Saraiva propõe um "visão absolutamente inovadora" de "Os Lusíadas" com base na investigação que fez da vida de Luís Camões, numa edição que será lançada segunda-feira, explicou o historiador à Lusa.
    "Realizei há uns tempos uma investigação que revelou uma biografia camoniana totalmente diferente daquela em que até aqui se tem divulgado", disse José Hermano Saraivava.

    Esta nova edição de "Os Lusíadas", com 900 páginas, assinala o 40º aniversário da presença das Selecções do Reader's Digest em Portugal.

    "Inventou-se um romance, do fidalgo de corte apaixonado por uma princesa, o que não corresponde à verdade. Do princípio ao fim tudo foi revisto", disse o investigador.

    José Hermano Saraiva referiu por exemplo os versos com que Camões iniciou a "Canção Décima": "Foi minha ama uma fera". A interpretação tradicional tem-se referido a esta ama como quem toma conta de uma criança "quando na realidade era a mulher do seu amo por quem Camões se apaixonou".

    Segundo o historiador, Luís de Camões não era fidalgo da corte mas escudeiro do conde de Linhares, comendador da Ordem de Cristo, e viveu no paço da Comenda de S. Martinho, frente a Coimbra.

    Linhares (seu amo) foi enviado para Paris como embaixador, tendo Camões e a mulher do conde (sua ama) "se apaixonado".

    "Tudo isto modifica a interpretação de 'Os Lusíadas' que muito reflecte a sua própria experiência", disse.

    "Camões, diga-se, teve uma vida dramática e dolorosa, a vida mais dramática que se viveu", sublinhou.

    Para Hermano Saraiva, Camões "revela-se não muito imaginativo, mas escreveu de uma forma artisticamente genial. Foi um grande criador da língua portuguesa e um dos maiores escritores da Europa do seu tempo".

    "'Os Lusíadas' é um livro de protesto contra os excessos da nobreza e um pedido de emprego a D. Sebastião com a promessa de que o tornaria célebre em toda a Europa através dos seus versos", afirmou o historiador.

    "Camões - sublinhou - tinha a plena consciência do seu valor, e prometeu a D. Sebastião que o tornaria mais célebre que o mítico herói grego Aquiles", rematou.

    Esta edição de "Os Lusíadas" de Luís de Camões, comentada por José Hermano Saraiva, tem ilustrações de Pedro Proença.
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