Gustavo Silva vence no Pico ano e meio depois de se estrear nos ralis

Gustavo Silva abandonou na estreia, em maio de 2025, mas em outubro de 2026, aos 19 anos, venceu o XV Rali Vinho do Pico. A progressão do jovem piloto do Faial tem sido rápida e o grande desafio passa por reunir apoios para continuar a evoluir e a vencer.




O piso húmido e escorregadio no asfalto da ilha do Pico, na manhã do passado dia 17 (outubro), tornou a escolha dos pneus para o início do XV Rali Vinho do Pico  decisiva e fundamental para o desenrolar de toda a prova.

Naquele momento, a equipa de Gustavo Silva fez o que sempre faz nos momentos difíceis: sentou-se à volta do carro e analisou tudo com calma.

“Arriscámos numa opção que nos pareceu a mais certa e correu muito bem”, recorda o piloto faialense, citado em nota informativa da sua assessoria de imprensa.

A verdade é que, efetivamente, correu mesmo tudo bem e após a conclusão de Frei Gigante 1, a vantagem já era de 22s9 e, naquela altura, Gustavo Silva e Jorge Henriques perceberam que a vitória no rali podia mesmo vir a ser uma realidade.

Ao volante do Peugeot 208 Rally4, Silva venceu quatro classificativas, comandou a prova do Pico Automóvel Clube desde a primeira especial e chegou à Madalena, na tarde daquele sábado, com um tempo total de 53m46s5 e uma vantagem de 09s6 para o segundo classificado. Aos 19 anos, Gustavo Silva conquistou a primeira vitória absoluta na sua ainda curta carreira no automobilismo, naquela que foi a oitava e penúltima prova do Campeonato dos Açores de Ralis (CAR) de 2026.

Antes do início da prova, Silva sabia que o adversário mais direto, “um piloto muito rápido” [Pedro Câmara], ia atacar em todas as especiais.

“Nunca tirar o pé por completo, porque quando se começa a gerir demasiado é quando surgem os erros”, explica o piloto faialense que, em toda a prova adotou um ritmo forte, mas sem correr riscos desnecessários, conseguindo com esta receita chegar ao fim em primeiro, num rali que descreve como intenso “até ao último quilómetro”.

O conhecimento e a experiência do navegador Jorge Henriques e o apoio logístico prestado pela Rego Jr Racing Garage, estrutura liderada por Luís Miguel Rego, também revelaram-se peças fundamentais nesta histórica vitória do piloto da ilha do Faial.

O campeão dos Açores de ralis não alinhou no Pico, mas Luís Miguel Rego acompanhou a equipa e foi o conselheiro nas decisões sobre os pneus, nas afinações do Peugeot e na forma de abordar cada troço do rali.

“Aprender com o campeão dos Açores, ao vivo, num rali em que estamos a lutar pela vitória, é algo que não tem preço”, destaca Gustavo Silva, ao mesmo tempo que sublinha o trabalho desenvolvido pela Rego Jr Racing Garage e que deixou o carro “irrepreensível”.

Filho de antigos pilotos de ralis, Marco e Tânia Silva, que desde cedo incutiram no jovem Gustavo o sonho de um dia também seguir as pisadas dos pais, a progressão do faialense nos ralis açorianos aconteceu em pouco mais de ano e meio.

Como recorda a nota de imprensa do atleta, a estreia aconteceu em maio de 2025, em casa, no Rali Ilha Azul – Cidade Mar, ao volante de um Citroën Saxo Cup quase de série. Apesar do abandono, os tempos registados deixaram sinais de um futuro promissor e a mudança de viatura comprovou isso mesmo.

Seguiu-se o Renault Clio Rally5 e, depois, o Peugeot 208 Rally4, com o qual subiu ao pódio absoluto, no passado mês de abril, no 1.º Rali da Praia: foi terceiro à geral e segundo nas 2 Rodas Motrizes (2RM).

Em maio, Gustavo Silva integrou o FPAK Júnior Team e estreou-se nos ralis em solo continental português no Rally de Lisboa. Em julho, na Graciosa, alcançou a sua primeira vitória nas 2RM,  subindo, no Pico, ao lugar mais alto do pódio da classificação geral.

“Cada rali foi uma escola”, resume o piloto, que atribuiu aos contratempos sentidos na época em curso os momentos de aprendizagem que o fizeram crescer: “Esta vitória confirma que estamos no caminho certo, mas tenho os pés bem assentes no chão. Ainda tenho muito para aprender”, reconhece.

Se nos troços as coisas começam a correr de feição, nesta fase é fora das classificativas que Gustavo Silva encontra o seu maior desafio.

Os custos de participação no CAR são elevados e, numa ilha pequena como o Faial, o tecido empresarial é mais limitado. Por isso mesmo, o piloto agradece, no final da nota de imprensa, a todos aqueles que o acompanham desde início, nomeadamente a ERA, a Jocalçadas, a Novo Rumo e o Restaurante R&A Kibom, apoios que considera decisivos.

Todavia, o piloto faialense deixa um apelo às empresas da região: com cobertura constante na televisão, na rádio, na imprensa e nas redes sociais, os ralis e o CAR constituem “uma montra única” para chegar a todo o arquipélago.

“Com esse apoio, acredito que podemos levar esta carreira muito mais longe e levar o nome do Faial e dos Açores connosco”, afirmou.

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