Há 25 anos que um grupo de empresários canadianos com descendência portuguesa atravessa o Atlântico para jogar golfe em São Miguel. O que começou como uma viagem de confraternização tornou-se, ao longo do tempo, um compromisso anual com a terra de origem e com as pessoas que lá ficaram.
A história do grupo remonta a cerca de 28 anos, quando
Hélio Rodrigues, proprietário de uma agência de viagens em Kitchener, no
Canadá, reuniu um pequeno grupo de amigos. “Começamos com umas 12
pessoas e hoje temos 22 pessoas aqui do Canadá”, conta Evaldo Dycka ao
Açoriano Oriental, explicando que a maioria é natural de São Miguel e
está radicada na região de Waterloo, em Ontário, onde integra a Waterloo
Region Portuguese Business and Professional Association.
Felipe
Mendes, presidente da associação, explica o propósito da organização:
reunir empresários de origem portuguesa, brasileira ou descendente que
operam na região de Waterloo, promover os seus negócios junto da
comunidade lusófona e reforçar os laços com Portugal.
“A maioria é de São Miguel e quer reforçar os laços com a sua comunidade”, sublinha.
O
golfe é o pretexto, mas também é genuinamente o programa. “Os dois
campos de golfe aqui em São Miguel são lindos, as vistas para o oceano
são fantásticas”, admite Felipe Mendes.
Em disputa anualmente está o
Troféu Pato, uma criação de Manuel Costa, natural dos Fenais da Luz, que
quis homenagear a terra com um símbolo à sua medida. “Nos primeiros
anos tínhamos um troféu que não era digno da nossa terra, então fiz um
troféu com o pato”, conta, explicando que o pato, animal comum nos
campos da ilha, se tornou o emblema do torneio.
Para além da
competição, o grupo tem uma vertente solidária que cresceu de forma
orgânica. Lino Medeiros, natural da Povoação, emigrou para o Canadá aos
12 anos e vive lá há mais de cinco décadas. Quando regressou à ilha pela
primeira vez como convidado do torneio, há 21 anos, o que viu não o
deixou indiferente. Desde há dez anos que realiza um torneio no Canadá
para angariar fundos e apoiar famílias mais carenciadas de São Miguel.
Para
Felipe Mendes, o impacto desta viagem não é apenas material. “O mais
importante é compreender a cultura e manter essa ligação”. Já para
Manuel Costa, que regressa todos os anos à ilha onde nasceu, a
explicação é mais simples: “Vimos cá para fazer uma festa com os
amigos... e é bom”.
