Freguesia açoriana da Maia elabora roteiro turístico tradicional que inclui casas particulares

A freguesia da Maia, no concelho da Ribeira Grande, nos Açores, está a preparar um roteiro turístico tradicional para captar visitantes para a localidade que tem na sua área a mais antiga plantação de chá da Europa.



O projeto, que está a ser elaborado em parceria com a Cooperativa Regional de Economia Solidária - Cresaçor, a Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária - Kairós e uma empresa de turismo, incluirá instituições e vários locais da povoação, incluindo casas particulares, segundo o presidente da Junta de Freguesia, Helder Tavares.

“Ao preservar as suas raízes e transformá-las em atrativo turístico, o território ganha visibilidade, dinamiza a economia local e reforça o seu valor cultural”, considera a autarquia.

Helder Tavares disse hoje à agência Lusa que, numa primeira fase, já foi identificado tudo o que se pode visitar na Maia, onde comer e o que se pode fazer, incluindo percorrer trilhos pedestres e, por exemplo, assistir à produção de bolos de massa sovada, típicos dos Açores, que são feitos por uma família pelo método tradicional, com ingredientes caseiros e em forno de lenha.

Segue-se a fase de aplicação e divulgação do projeto, admitindo o autarca que era bom que o roteiro pudesse ser disponibilizado na primavera do próximo ano, porque segue-se o verão, que é "quando as pessoas tiram as suas férias" e "visitam mais a freguesia".

O futuro roteiro tradicional terá a fábrica de chá Gorreana como “ponto de paragem obrigatório”, mas a ideia é que os visitantes se desloquem depois ao centro da freguesia, visitem o Museu do Tabaco (afeto à Santa Casa da Misericórdia do Divino Espírito Santo da Maia) e, entre outras propostas, assistam ao processo de confeção dos bolos de massa sovada, degustando-os posteriormente com o acompanhamento de chá.

O presidente da Junta da Maia diz que o executivo “aceitou a proposta de imediato”, por a considerar uma boa iniciativa para projetar o nome da terra e tudo aquilo que ali se faz.

O autarca acrescentou que a Maia, com cerca de 2.000 habitantes, é “uma terra pequena, mas de coração grande”, onde as chaves das casas ainda ficam nas portas, coisa que já “não se vê em lado nenhum”.

“[Aqui], as pessoas ainda têm essa particularidade de deixar as pessoas [de fora] entrar [nas suas casas] e isso é muito bom, porque também há o convívio. E dar a conhecer o que ainda se faz [de] regional, é muito bom”, disse Helder Tavares.

Na área da Freguesia da Maia situa-se a fábrica de chá Gorreana, que possui a mais antiga plantação de chá orgânico da Europa, onde chás pretos e verdes “são cultivados e processados com técnicas tradicionais”.

“Cultivamos este produto maravilhoso que é o chá desde 1883, mantendo desde então as tradições originais do Oriente e as qualidades ancestrais há já cinco gerações familiares”, refere a empresa na sua página da Internet.

A cultura do chá nos Açores remonta ao século XIX, altura em que foi importada a planta, tendo surgido a indústria de transformação a partir de 1878.

Mantêm-se hoje duas unidades, as fábricas da Gorreana, um negócio de família que começou em 1883 na Maia, e Porto Formoso, ambas no concelho da Ribeira Grande, na costa norte da ilha de São Miguel.

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