Fitch revê em baixa previsão de crescimento do Brasil para 2,8% em 2014

Fitch revê em baixa previsão de crescimento do Brasil para 2,8% em 2014

 

Lusa/AO online   Economia   19 de Set de 2013, 18:31

A agência de notação financeira desceu hoje a previsão de crescimento económico para o Brasil, prevendo agora que o país expanda a sua riqueza em 2,8% no próximo ano, descendo sete décimas face à estimativa inicial

De acordo com o Global Economic Outlook, o Brasil deverá crescer, este ano, 2,5%, acelerando ligeiramente para os 2,8% nos dois anos seguintes, registando assim, em 2014 e 2015, o crescimento mais baixo dos chamados BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China.

"Os indicadores de confiança foram afetados pela incerteza na política interna, uma relação difícil entre abrandamento do crescimento e inflação elevada e os extensos protestos nas ruas nas principais cidades brasileiras", escreve a Fitch no documento que mantém a previsão de crescimento para este ano nos 2,5%.

O investimento privado, afirma a agência, é a chave para o crescimento económico: "A pequena recuperação face a este ano [de 2,5% para 2,8%] é baseada na expectativa de que a confiança dos empresários e o crescimento terão um impulso baseado na redução da incerteza política, na correção das políticas económicas e na realização de progressos no programa das infraestruturas", afirma o relatório.

A inflação deverá ficar ligeiramente abaixo dos 6% no final do ano, baixando face aos 6,1% registados em agosto, sendo que a Fitch espera mais aumentos nas taxas de juro, cujo valor de referência está nos 9%.

No que diz respeito à zona euro, a Fitch reviu em baixa a estimativa para a recessão, de 0,6% para 0,4% este ano e manteve inalterada a previsão para os dois próximos anos - crescimento de 0,9% e 1,3% em 2014 e 2015.

O crescimento de 0,3% no segundo trimestre deste ano foi "uma surpresa positiva que terminou com seis trimestres de recessão", escrevem os analistas, que atribuem a melhoria essencialmente às quatro maiores economias europeias, e sublinham que estes valores trimestrais "são voláteis" e que o crescimento é baseado "em fatores temporários e relacionados com o clima".

A recuperação prevista para 2014 vai assentar não só nas exportações para fora do continente, mas terá também uma importante componente que vem da procura interna, ajudada pelo fim da desalavancagem dos bancos, pelo abrandamento da austeridade orçamental e pela normalização das condições de financiamento.

Ainda assim, a recuperação "continua frágil e o desemprego vai continuar acima dos 12% até 2015", diz a Fitch, que salienta que existe uma série de condicionantes à recuperação na zona euro, que não pode ser dada como garantida.

A estimativa para o crescimento mundial passa a ser de 2,3%, apenas uma décima menos que os 2,4% da estimativa de junho, de 2,9% para o próximo ano (revelando uma revisão em baixa de duas décimas), e manutenção da previsão de 3,2% em 2015. A ligeira revisão em baixa explica-se pela “deterioração dos dados provenientes dos Estados Unidos, mas também pela redução das expectativas dos indicadores em muitos mercados emergentes, que assim contribuem menos para o avanço da economia mundial”, conclui a Fitch.


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