O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, recebe sábado, (12 setembro) pelas 17h00, um ensaio aberto ao público, seguido de uma conversa sobre a peça ‘Filhos de Alguém’ que terá a sua estreia no próximo dia 19, no Teatro Micaelense.
‘Filhos de Alguém’, tem encenação e direção artística de Miguel Damião, e texto original de Nuno Costa Santos e João Pedro Porto. Retrata a condição das pessoas sem-abrigo, “ao colocar num banco emblemático de Ponta Delgada, onde o poeta Antero de Quental pôs fim à vida, dois irmãos marginalizados que aguardam um futuro que nunca chega”.
Este projeto teve o seu início em março deste ano, com uma residência artística, nas escolas secundárias Domingos Rebelo e Antero de Quental, assim como na Novo Dia - Associação para a Inclusão Social.
Em entrevista ao jornal Açoriano Oriental, Miguel Damião, começa por explicar que desde que lhe foi proposto este projeto teve em mente a escolha dos dois atores, Emanuel Arada e Rui M. Silva. A temática dos sem-abrigo está no texto, mas “não de uma forma muito profunda. Ou seja, não vamos tratar do tema dos sem-abrigo com essa vertente social e realista, porque o texto está muito mais romantizado e teatralizado”. O tempo que passaram na Novo Dia, “foi uma experiência muito verdadeira”, afirmou Miguel Damião, sublinhando que “estar frente a frente com pessoas com histórias de vida incríveis, muito duras, de muito sofrimento, serviu para os atores se inspirarem. Ouvimos muito, foram momentos de partilha, em que acho que contribuímos para que eles tivessem uma alteração da sua rotina”.
Entretanto, esta semana decorreu uma nova Residência, com os atores, o encenador, a assistente de encenação, Raquel Palmer “para os ensaios finais, bem como para aperfeiçoar a criação do desenho de luz, a cargo do Rui Viveiros”.
Assim, amanhã no Arquipélago, “vamos realizar um ensaio parcial onde estarei a dirigir os atores, como se estivesse sozinho com eles. Isso é uma forma de as pessoas poderem espreitar um pouco pelo buraco da fechadura, de perceber o que é um processo de trabalho criativo, porque o público nunca está presente neste processo”, referiu Miguel Damião. Depois, seguir-se-á uma conversa aberta com o público, “em que convidei o Tiago Melo Bento, diretor do Festival POP, em que as pessoas podem fazer as perguntas que quiserem”.
Para Miguel Damião, é sempre “especial” realizar trabalhos nos Açores e para os açorianos. Neste projeto particular, “é muito bom termos a estreia no Teatro Micaelense”. A peça vai estar também em Lisboa e no Porto, em outubro.
Miguel Damião disse ainda que no dia 19, o espetáculo conta, “pela primeira vez nos Açores com áudio-descrição para pessoas cegas ou com baixa visão. “Virá uma áudio-intérprete de Lisboa, essa pessoa tem todo o guião do espetáculo e também tem um vídeo de todo o espetáculo, e fará uma descrição no momento do espetáculo para as pessoas com cegueira ou baixa visão que têm um auricular”, disse Miguel Damião, acrescentando que “iremos ter cerca de 14 pessoas com cegueira ou baixa visão no dia 19, o que é incrível. Houve um entusiasmo muito grande das associações da ilha nesse sentido. De referir também que 10% da receita da bilheteira do Teatro Micaelense reverte a favor da Novo Dia”.
