Organização britânica acusa

EUA tentam controlar petróleo do Golfo da Guiné

EUA tentam controlar petróleo do Golfo da Guiné

 

Lusa / AO online   Internacional   8 de Out de 2007, 17:10

Uma organização britânica insurgiu-se hoje contra aquilo que considerou ser as tentativas dos Estados Unidos em controlar o petróleo do golfo da Guiné, acusando Washington de "agressão" aos estados da região.
    Num artigo intitulado "As tentativas dos Estados Unidos para controlar o petróleo do Golfo da Guiné", a organização Black Britain acusa os norte-americanos de estarem a usar uma nova estratégia para controlar os recursos petrolíferos naquela região africana.

    "Os Estados Unidos desenvolveram uma fórmula para os países já despojados das suas riquezas nacionais e das suas integridades territoriais: declara-os incompetentes para "proteger" os recursos vitais, considera-os "Estados falhados", e depois usa esse pretexto para tomar o controlo desses recursos", lê-se num artigo publicado hoje no site desta associação.

    No entender da Black Britain, organização de promoção da igualdade dos negros em todo o mundo, torna-se "claro" que está em curso "um proesso de agressão" na região do Golfo da Guiné, rica em petróleo e gás, repartido por vários Estados da África Ocidental, incluindo, sobretudo, a Nigéria.

    "Os norte-americanos argumentam com a necessidade de garantir em terra os direitos básicos para assegurar uma presença naval para "proteger" o Golfo. De quem? A Nigéria, nos seus esforços para organizar uma resistência africana à intrusão dos Estados Unidos da América, arrisca-se a ser considerada, ela própria, um Estado falhado pelos usurpadores", lê-se no artigo.

    A Black Britain adianta que o governo nigeriano está a estudar, em conjunto com outros Estados africanos, uma forma de impedir os Estados Unidos de instalarem uma base naval militar no Golfo da Guiné, onde se situa também o arquipélago de São Tomé e Príncipe.

    "Os países da região têm todas as razões para estarem alarmados. Os "conselheiros estratégicos" norte-americanos marcaram o Golfo como área a controlar atentamente, para, depois, a subjugar", acrescenta-se no documento.

    A região do norte do Sahel, prossegue o artigo, está já "saturada" da presença militar norte-americana.

    "Olhando para sul, os norte-americanos alegam que não existe uma presença militar suficiente para garantir a segurança (…) das reservas de gás e de petróleo existentes no Golfo", pertença da Nigéria, Guiné Equatorial, Gabão e São Tomé e Príncipe, acrescenta-se no artigo.

    "Na realidade, o Golfo não precisa de protecção de ninguém. À excepção de uns Estados Unidos gananciosos", adianta a organização.

    Segundo a Black Britain, os Estados Unidos continuam a insistir na necessidade de colocar submarinos e navios de guerra no Golfo da Guiné, "onde não existe qualquer inimigo".

    Questionando se a "estratégia de Estados falhados" é mais uma forma de colonização, a Black Britain realça, porém, que a Nigéria, o mais populoso e mais militarizado país da região, é "talvez" o "Estado mais cleptocrático" do mundo, onde há um "governo e uma classe dirigente dominada por ladrões".

    "Mas, agora, as várias classes de "gangsters" nigerianas, com ou sem uniformes, enfrentam a ameaça de um ladrão ainda maior: os Estados Unidos, um trapaceiro que rouba todos os países", afirma-se no artigo.

    "Comparados com os norte-americanos, os padrinhos nigerianos são criminosos de delito comum. (…) O plano de jogo norte-americano passa por reclamar que só Washington é capaz de ajudar os "Estados falhados" quando estes se tornam incapazes de garantir a segurança dos preciosos recursos", lê-se no artigo.

    "Se ainda não és um Estado falhado, os Estados Unidos vão transformar-te num", ironiza a Black Britain.
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