Estado só comparticipa 10% de todas as pílulas vendidas em Portugal


 

Lusa/AO Online   Nacional   22 de Set de 2011, 07:26

O Estado comparticipa apenas cerca de 10% do valor das pílulas vendidas por ano em Portugal, pagando 5,6 milhões de euros quando ao todo se gastam 55 milhões a comprar este método contracetivo nas farmácias.

Números fornecidos pela Associação para o Planeamento da Família (APF) indicam que são vendidas nas farmácias portuguesas 55 milhões de euros de pílulas. Destas, só nove milhões correspondem a pílulas comparticipadas e o Estado contribui com 5,6 milhões de euros.

“A grande maioria das pílulas vendidas não é comparticipada”, resume Duarte Vilar, diretor executivo da APF, em declarações à Lusa em vésperas do Dia Mundial da Contraceção, que se assinala na segunda-feira.

Também Luís Graça, ginecologista-obstetra e presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia, refere que “as pílulas mais modernas não são comparticipadas”.

“A esmagadora maioria das pílulas que é prescrita fora dos serviços públicos não tem comparticipação”, adianta à Lusa o especialista.

A questão da comparticipação da pílula contracetiva esteve recentemente em discussão a propósito de notícias que davam conta de que o Ministério estaria a ponderar retirar a comparticipação a este medicamento, mantendo a sua distribuição gratuita nos centros de saúde.

A Sociedade Portuguesa de Contraceção admite que a questão seja debatida na reunião científica que decorre entre sexta-feira e sábado na Universidade do Algarve, com o título “Desafios em Contraceção”.

“Não é uma questão central, mas é natural que seja abordada”, diz à Lusa o presidente desta Sociedade, David Rebelo, para quem a eventual descomparticipação da pílula contracetiva não é dramática.

“Há muitos outros métodos contracetivos que não são comparticipados e continuam a ser muito usados. E a distribuição gratuita nos centros de saúde pode ser suficiente”, considera.

David Rebelo frisa ainda que duas visitas por ano ao médico do centro de saúde são suficientes para ter a quantidade anual de pílulas necessárias.

Já a Associação para o Planeamento Familiar condena um eventual fim da comparticipação da pílula, temendo que o recurso ao aborto possa aumentar.

Questionada pela Lusa, a assessoria de imprensa do Ministério admitiu não dispor ainda de dados que permitam perceber quantas pílulas são distribuídas pelos centros de saúde e respetiva comparação com as vendas em farmácia.

Na reunião da Sociedade Portuguesa de Contracecção serão abordados temas como a interrupção voluntária da gravidez, a educação sexual ou as gravidezes não planeadas, que se calcula que representem mais de 15% do total.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.