Agricultura

Escaravelho japonês preocupa agricultores

O escaravelho japonês está a preocupar agricultores da ilha açoriana do Faial, que estão a braços com prejuízos em algumas culturas, devido à grande expansão do insecto este Verão.


Lomelino Vieira é um dos empresários florícolas da ilha que se debate com esta praga, a qual, segundo explicou à agência Lusa, provoca estragos em diversas plantas, “numas, mais do que em outras”.

    “Isto é uma praga que faz estragos, tanto na qualidade de adulto, como de larva”, afirmou Lomelino Vieira, lembrando que, antes de atingir a condição de adulto, o escaravelho vive debaixo do solo.

    Segundo este empresário, que se dedica, sobretudo, à exportação de plantas ornamentais para o continente e para países europeus, a expansão do escaravelho no Faial, este Verão, obriga a sua empresa a efectuar “tratamentos” específicos nas plantas para combater a praga.

    Lomelino Vieira adiantou que as plantas que exporta são, previamente, submetidas a uma desinfecção, para que nenhum insecto tenha possibilidade de ser transportado para o local de destino, através da planta.

    “Se isso acontecesse, haveria uma quebra de confiança no meu negócio”, reconheceu Lomelino Vireira, que admitiu estar “preocupado” com a propagação do escaravelho, “mas não alarmado”.

    “Temos que estar atentos e aprender a conviver com esta praga, porque ela veio para ficar”, adiantou o empresário florícola, sublinhando que a convivência tem de se fazer, porém, à base de um constante combate ao escaravelho.

    Lomelino Vieira mostrou-se confiante no trabalho das autoridades regionais e diz que, só através de uma campanha consertada entre os serviços de Desenvolvimento Agrário, de Ambiente e fito-sanitários, será possível combater eficazmente esta praga.

    Mais alarmado com esta situação está o presidente da Associação de Agricultores da Ilha do Faial, para quem a praga nunca atingiu dimensões tão preocupantes, desde que foi descoberta na ilha, em 1996, já lá vão 12 anos.

    “Esta é uma praga que, para mim, está a atingir dimensões preocupantes, porque a densidade da espécie por metro quadrado é tão grande, que é impossível controlar o escaravelho, apenas com armadilhas”, reconheceu António Ávila, para quem “tem de haver outras formas de combatê-la”.

    Segundo explicou, vários agricultores alegam ter prejuízos provocados por esta praga, nas vinhas, no feijão e também em plantas e flores.

    O presidente da Associação de Agricultores do Faial lembra que “muitas pessoas” se têm dirigido aos serviços de Desenvolvimento Agrário a solicitar os denominados “chamariz” para instalar armadilhas para capturar a praga.

    A situação já originou a apresentação de um requerimento na Assembleia Legislativa dos Açores, por parte do deputado do PSD Jorge Costa Pereira, que alertou para a “preocupação generalizada que se vive no Faial”, devido o aumento das áreas infestadas pelo escaravelho japonês.

    Entretanto, o director do serviço de Agricultura e Pecuária já anunciou que as entidades oficiais vão utilizar, pela primeira vez este ano, um novo produto no combate à praga, alegadamente mais eficaz que a luta química e que as armadilhas que têm sido instaladas para recolher insectos.

    “Os serviços estão a produzir, nos seus laboratórios, um fungo que vai combater o escaravelho japonês e que é utilizado na luta microbiológica com algum sucesso”, destacou Carlos Santos.

    Segundo explicou, os serviços de Desenvolvimento Agrário vão efectuar a primeira aplicação deste insecticida e depois avaliar os impactos deste novo método de combate.

    “Estou perfeitamente convencido que esta técnica vai ajudar, em grande parte, a diminuir a praga”, destacou Carlos Santos, admitindo, porém, que “é muito difícil irradicá-la”.

    A praga surgiu nos Açores da década de 70, na ilha Terceira, muito provavelmente através da Base das Lajes, por onde passam centenas de aviões militares e civis.

    O escaravelho japonês só foi visto no Faial em 1996, na altura confinado apenas ao Monte da Guia, mas rapidamente se alastrou a outras zonas da ilha.

    O insecto foi também detectado em São Miguel (numa área restrita), em 2003, e na ilha do Pico, em 2006.
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