Espanha

Empresas proprietárias de centrais nucleares convocadas após incidentes


 

Lusa/AO online   Economia   25 de Ago de 2008, 18:48

O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol anunciou que vai convocar em Setembro os exploradores de centrais nucleares do país para examinar os últimos incidentes registados, um dia após um incêndio numa central da Catalunha (Nordeste).
O Conselho "decidiu convocar a comissão de ligação, em que estão representadas todas as empresas proprietárias de activos nucleares para fazer um acompanhamento dos últimos incidentes e analisar acções a tomar", declarou o conselho num comunicado.

    A comissão reúne-se três vezes por ano, em Abril, Julho e Novembro. O conselho decidiu antecipar para Setembro a última reunião do ano.

    Domingo de manhã deflagrou um incêndio na sala dos geradores da central de Vandellos II, na Catalunha, o que obrigou à paragem do reactor. O incêndio não fez vítimas e não foi no reactor, não tendo por isso consequências radiológicas, segundo o Conselho de Segurança Nuclear, que considerou que "os sistemas de segurança cumpriram o seu papel".

    Hoje, os exploradores da central, Endesa et Iberdrola, reúnem-se com os representantes das empresas ABB e Siemens, principais produtores do gerador danificado pelo incêndio.

    "Uma vez examinados os danos, será possível determinar as medidas e o tempo necessários para a reparação", e até lá a central ficará fechada, indicou o Conselho que anunciou o envio de investigadores para determinar as causas do incêndio.

    As organizações ecologistas Greenpeace e Ecologistas afirmaram hoje num comunicado, citando "fontes bem informadas", que o incêndio se deveu a uma fuga de hidrogénio que explodiu ao contacto com o ar.

    A central de Vandellos II foi construída em 1980 e dispõe de uma autorização de exploração até 2010. É explorada conjuntamente com os dois reactores da central de Asco (Catalunha) pela sociedade Anay.

    Segunda-feira de manhã, um novo incidente ocorreu numa outra central. O reactor da central de Santa Maria de Garona, perto de Burgos (Norte) parou automaticamente devido às operações de manutenção nas linhas eléctricas no exterior da central.

    Durante testes realizados este Verão, foram detectadas várias falhas nalgumas baterias desta central com uma capacidade de 466 MW, explorada pela sociedade Nuclenor.

    A Anay é alvo de duras críticas desde o início do ano, acusada de não ter informado correctamente as autoridades sobre uma fuga da central Asco I, em Novembro de 2007. Este incidente sem perigos significativos para as populações, segundo o Conselho de Segurança, só foi tornado público cinco meses depois.

    O Conselho de Segurança Nuclear recomendou, a 18 de Agosto, ao governo a aplicação de uma multa recorde entre nove e 22,5 milhõs de euros aos gestores de Asco I.

    Greenpeace e Ecologistas exigem que "seja retirada à Anay a autorização para explorar as centrais que ela administra (Asco I, Asco II e Vandellos II)" e que o seu funcionamento seja preventivamente suspenso "face à acumulação de incidentes".

    A Espanha tem seis centrais nucleares em funcionamento, com um total de oito reactores que produzem um quarto da electricidade consumida no país, segundo o CSN.

    O governo socialista de José Luis Rodriguez Zapatero, no poder desde 2004, é partidário do abandono progressivo do nuclear.

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