É preciso construir uma “Lisboa inteira” para dar resposta ao problema da habitação

O alerta é do governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira e foi feito à margem da cerimónia de comemoração dos 150 anos da presença do banco central nos Açores. Neste momento, faltam 300 mil casas no país



O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, alerta que faltam atualmente cerca de 300 mil casas em Portugal, o que significa “uma Lisboa inteira que nós temos de construir para conseguirmos absorver a procura que aconteceu na última década e meia e acertá-la com a oferta”.

Álvaro Santos Pereira falava ontem aos jornalistas em Ponta Delgada, durante a cerimónia institucional comemorativa dos 150 anos da presença do Banco de Portugal nos Açores e que decorreu precisamente nas instalações da Delegação Regional.

Lembrando que este é um tema que tem procurado colocar na agenda dos decisores políticos desde que assumiu a liderança do Banco de Portugal há um ano atrás, Álvaro Santos Pereira afirmou que “se compararmos Portugal com outros países, ao nível da acessibilidade da habitação e ao nível da habitação pública, vemos que temos algum caminho para andar”.

Por isso, acrescentou, “temos feito investigação e apresentado dados por município e por concelho que mostram que durante década e meia nós tivemos um período muito grande em que a procura de habitação aumentou muito mais rápido do que a oferta”.

E para Álvaro Santos Pereira, que foi ministro da Economia e do Emprego no primeiro governo liderado por Pedro Passos Coelho, o problema da habitação em Portugal só poderá ser resolvido se “o setor público e privado trabalharem em conjunto para conseguirmos ultrapassar esta situação bastante difícil”.

Numa altura em que se multiplicam pela Europa em geral e em Portugal, em particular, protestos de jovens contra a falta de acesso à habitação, Álvaro Santos Pereira, salientou que “o que o Banco de Portugal faz é apresentar os dados, quer a nível da procura e de oferta de casas, quer ao nível das rendas, quer ainda ao nível dos preços e que mostram exatamente a urgência que é preciso que nós tenhamos como sociedade para termos uma resposta para o problema da habitação”.

Afirmando que não pode substituir-se aos decisores políticos, Álvaro Santos Pereira concluiu explicando que “é fácil cair em ideologias, mas o que uma instituição como o Banco de Portugal tem que fazer é dar os dados para depois os decisores políticos e o setor privado decidirem, é só isso”.

O governador do Banco de Portugal alertou, por fim, para a necessidade de Portugal olhar para o que aconteceu em países como a Suécia, o Canadá ou a Austrália, que também passaram por crises de acessibilidade à habitação e ver “o que é que resultou e o que não resultou nos outros países para, a partir daí, tomar decisões políticas”.

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