Semana da Igreja Diocesana

Diocese de Angra volta a ter défice nas contas

Diocese de Angra volta a ter défice nas contas

 

Rui Jorge Cabral   Regional   5 de Nov de 2007, 11:16

No ano passado, muitos açorianos foram apanhados de surpresa com a notícia de que o défice também já tinha chegado à Igreja. Foi até lançado um peditório especial ao nível Açores para fazer face ao passivo da Diocese de Angra. Mas o ano de 2007 não vai ser diferente.
Isto porque, a Semana da Igreja Diocesana, que ontem se iniciou, é a altura para se apresentar contas e as deste ano voltam a não deixar dúvidas: a Diocese de Angra tem cerca de 200 mil euros de passivo, num orçamento anual ligeiramente superior a 1,2 milhões de euros.
Uma situação que, segundo admitiu ao Açoriano Oriental o vigário-geral da Diocese, Hélder Fonseca Mendes, se deve em grande parte ao encerramento do jornal “Correio da Horta”, que há vários anos vinha dando prejuízo. Contudo, garante o vigário-geral, a Diocese de Angra não tem qualquer intenção de esconder a sua situação financeira: “havia a ideia de que a Igreja era muito rica e que não prestava contas para esconder a sua riqueza”, afirma. As contas dos últimos dois anos revelam precisamente o contrário. A Diocese de Angra quer tornar transparentes as suas receitas e mostrar que estas não vêm de subsídios públicos, para além daqueles que resultam do serviço social que a Igreja presta ou da utilização do seu património.
Este ano, tal como no ano passado, o Dia da Igreja Diocesana fica marcado pelo lançamento de um novo peditório ao qual os próprios padres não escapam, porque de cada vez que renovam o seu cartão de identidade sacerdotal, de ano a ano, dão normalmente a sua oferta à Diocese. Hélder Fonseca Mendes considera o valor do peditório do ano passado bastante bom, apesar de não ter coberto o défice e, para 2008, admite que a Igreja tenha de cortar em despesas ou juntar outras receitas para fazer face ao défice, medidas que não passarão, contudo, pela área dos negócios, na qual a Diocese não se tem dado bem. Prejudicará o défice a acção da Igreja no seu dia-a-dia? Ovigário-geral garante que não: “a Igreja vive nas bases e cada paróquia tem o seu conselho paroquial de assuntos económicos”, afirma. As paróquias têm a sua autonomia financeira e dão uma contribuição ordinária - uma percentagem das receitas - aos serviços centrais da Diocese. E são esses serviços centrais da Diocese que custam à Igreja açoriana cerca de 1,2 milhões de euros por ano e registam um défice de cerca de 200 mil euros. Mas esta é apenas uma parte das finanças globais da Igreja açoriana. Pode haver paróquias mais “ricas” que a própria Diocese e, pelo contrário, paróquias que, sem a sua ajuda, não sobreviveriam.
“Quanto mais responsáveis as pessoas forem em relação à vida da sua paróquia, mais essa paróquia poderá também contribuir para a Diocese”, diz Hélder Fonseca Mendes. A Semana da Igreja Diocesana fica este ano marcada pela ausência do Bispo de Angra, D. António Sousa Braga, que está em Roma integrado na comitiva de bispos portugueses que fazem esta semana uma visita ordinária ao Papa. D. António terá na sexta-feira a sua audiência privada com Bento XVI, que recebe uma média de quatro bispos por dia. O Bispo de Angra dará conta do “estado geral” da sua Diocese, um trabalho que começa com a elaboração de um extenso relatório com 30 páginas de perguntas e mais de 20 capítulos, onde cada Diocese avalia a sua acção, a sua implantação na sociedade e o seu grau de liberdade do culto.
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