Celebra-se hoje, dia 18 de outubro, o dia Mundial da Menopausa. Tendo sido instituído em 2009, pela Sociedade Internacional da Menopausa, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde, o objetivo passa por informar a sociedade sobre as mudanças hormonais e o impacto da menopausa na saúde e no bem-estar das mulheres.
Carlos Ponte, ginecologista do Hospital CUF Açores, salienta a relevância da data para sensibilizar as mulheres. Em concreto, no que diz respeito à importância de procurar acompanhamento médico, cabendo aos profissionais de saúde “elucidar e dar todos os dados no sentido de fazer com que a fase da menopausa seja encarada com mais qualidade”.
A edição deste ano do Dia Mundial da Menopausa tem como tema principal a “dor crónica na meia-idade”. O objetivo passa por alertar para o facto de a dor crónica afetar parte das mulheres durante e após a transição para a menopausa.
“Quando as mulheres chegam à menopausa, acabam por estar mais expostas a esta dor. Num contexto de patologias ginecológicas prévias, esta fase da mulher pode fazer com que a dor se torne muitíssimo mais intolerável, havendo a hipótese de entrar num conceito de dor crónica”, explica Carlos Ponte.
O contexto das mulheres açorianas
Atualmente, as mulheres açorianas têm vindo a ter um maior cuidado em procurar o devido acompanhamento para lidar com a menopausa.
“Felizmente, devo dizer-lhe que, nos últimos tempos, tem havido uma maior sensibilização para esta questão, existindo igualmente uma evolução relativamente ao conhecimento geral acerca da menopausa. Por estes motivos, temos muitas senhoras que nos procuram”, afirma o ginecologista.
O mesmo indica que, antes, a menopausa era um “tabu”, havendo “senhoras que desvalorizavam os sintomas que sentiam”. Para além disto, existia o mito “da medicação que poderia causar cancros e ter efeitos secundários indesejáveis”.
A importância do acompanhamento médico
Desta forma, a busca por acompanhamento especializado assume-se como fundamental, de forma a que os efeitos da menopausa possam ser mitigados da melhor forma possível.
“A menopausa pode implicar diversas transformações, tais como os tradicionais calores frios, alterações do humor, insónias, riscos cardiovasculares e palpitações. Depois, entram também as questões de fragilidade óssea, com a osteopenia e a osteoporose. Não podemos esquecer a disfunção sexual, que está associada ao contexto da redução da libido”, descreve Carlos Ponte.
O especialista admite ainda que, “fruto de toda a informação disponível atualmente”, é mais fácil, para as mulheres, obter respostas relativamente aos possíveis sintomas que estão a sentir.
“Estão disponíveis consultas relativas à menopausa tanto nos hospitais como nos centros de saúde. Há também vários colegas meus que trabalham nesta área da ginecologia, sendo especialistas em várias vertentes. Se as pessoas têm dúvidas, podem se informar, e se as dúvidas persistirem, têm onde recorrer”, deixa claro.
Carlos Ponte termina as suas declarações deixando um alerta: “Ninguém deve tomar a iniciativa de fazer a medicação que a sua amiga ou a sua familiar faz. Cada caso é um caso, sendo que cada situação deve ter um acompanhamento e diagnóstico particular. Se tal não acontecer, ao invés de serem beneficiadas, algumas mulheres podem ser prejudicadas”.
