Dezenas milhar festejam em Berlim fim da divisão da Alemanha

Dezenas milhar festejam em Berlim fim da divisão da Alemanha

 

Lusa/AO Online   Internacional   10 de Nov de 2009, 05:15

Dezenas de milhar de pessoas festejaram hoje, em Berlim, o vigésimo aniversário da queda do Muro que dividiu a Alemanha durante 28 anos e representou, simultaneamente, a divisão do mundo em dois sistemas políticos antagónicos.

Na Festa da Liberdade, que decorreu junto à Porta de Brandenburgo, ex-libris da capital alemã, a chanceler Angela merkel apelou á superação das fronteiras que continuam a existir entre os povos.

Pouco depois, o Muro voltaria a cair, desta vez simbolicamente, representado por mil “pedras” de um dominó gigante construído por 15 mil alunos de escolas berlinenses e europeias.

Merkel considerou, no seu discurso, o 09 de Novembro de 1989 e a queda do Muro de Berlim “uma hora feliz da história alemã e da história europeia” e também um dos momentos mais felizes da sua vida, quase toda passada na Alemanha de Leste, apesar de ter nascido no ocidente, em Hamburgo.

A chanceler aproveitou para lembrar que foi também a 9 de Novembro de 1938 que se iniciou oficialmente a perseguição aos judeus na Alemanha nazi, na chamada “Noite de Cristal”, que Merkel considerou “um dos capítulos mais negros” da história germânica.

Numa mensagem de vídeo enviada para Berlim, o presidente norte-americano Barack Obama deu os parabéns aos alemães pela queda do Muro.

“O trabalho em prol da liberdade não pode terminar, a queda do Muro foi um sinal contra a tirania”, afirmou Obama, que esteve representado nas cerimónias em Berlim pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.

No seu discurso, a chefe da diplomacia norte-americana afirmou que a abertura do Muro “não foi só um novo capítulo para a Alemanha mas também para todo o mundo”, lembrando que ainda existem milhões de pessoas “que são mantidas atrás de muros”.

O presidente francês Nicolas Sarkozy louvou em seguida a queda do Muro, que considerou “uma libertação e um sinal para todos combaterem a opressão”.

O Chefe de estado gaulês acrescentou que a França e a Alemanha, que no séc. XX estiveram em guerra duas vezes, “são agora quem na Europa tem sobretudo a enorme responsabilidade de preservar a amizade, a paz e a solidariedade”.

Em nome das potências aliadas, falou também o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, que sublinhou que os berlinenses, “com a sua coragem, mudaram o mundo e provaram que um povo unido pode conseguir tudo”.

O presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, provocou grandes aplausos, ao dirigir-se parcialmente em Alemão à multidão que enchia a Porta de Brandenburgo, ao longo de parte do antigo trajecto do Muro, para lembrar que a queda da antiga fronteira interalemã também se deveu aos acontecimentos na extinta União Soviética.

Medvedev acrescentou que a queda do Muro, “que permitiu que famílias voltassem a reunir-se, terminou uma época de confrontação”.

No início das cerimónias, Angela Merkel e os chefes de estado e de governo de vários países do mundo, incluindo o primeiro-ministro português José Sócrates, passaram a pé sob a Porta de Brandenburgo, outrora sulcada pelo Muro.

Em declarações a jornalistas portugueses em Berlim, o primeiro-ministro afirmou que a queda do Muro “significou um novo paradigma mundial e obrigou todos os políticos a alterar o seu mapa mental” e a forma de entender o mundo.

Sócrates considerou ainda o 25 de Abril e a Revolução dos Cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, “precursora” das revoluções democráticas no Leste europeu, que culminaram na queda do Muro de Berlim.

A terminar a cerimónia, o ex-presidente da Polónia, Lech Walesa, e o ex-primeiro ministro da Hungria, Miklos Nemeth, pesonalidades ligadas á viragem democrática no bloco leste, iniciaram o derrube das “pedras” de dominó que simbolizaram o Muro, acto a que se juntaram pouco depois o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek.

A Festa da Liberdade começou com um concerto da orquestra e do coro da Ópera Nacional de Berlim, sob a batuta do maestro Daniel Barenboim, e terminou com o famoso tenor Placido Domingo a interpretar uma famosa canção popular de Berlim, “Berliner Luft”, antes de rebentar um grandioso fogo de artifício.


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