Da Povoação para a Bermuda, Ângelo e Jorge só pedem mais futebol português na TV


 

AO Online/ Lusa   Regional   3 de Nov de 2019, 21:09

Ângelo e Jorge, açorianos da Povoação, integraram esta tarde em Hamilton uma procissão em honra da comunidade portuguesa da Bermuda. A vida corre bem, trabalho não falta, mas devia haver mais futebol português na televisão, clamam.

Residentes na Bermuda há mais de 40 anos, os dois amigos contam à agência Lusa que as saudades dos Açores e de Portugal são atenuadas pela gastronomia, pelos convívios religiosos mas também pelo futebol.

"Vocês mandam pouco futebol para cá, para a gente ver. Benfica, Porto, Sporting, Santa Clara, gosto de ver tudo. Temos um jogo aqui, mas para ver mais temos de ter Internet e uma caixinha especial", atira Ângelo, que trabalha atualmente em pinturas mas já esteve ligado, por exemplo, à agricultura.

Nisto entra um terceiro homem na conversa que confirma a existência das referidas caixinhas e a posse de uma na sua casa: "Então em breve vais ver. Vamos lá para tua casa e levamos um 'drink' [bebidas] e umas cervejas", atira Ângelo, à procura - sem particular sorte à primeira vista - da sua sorte.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro está em visita oficial à Bermuda, e antes da procissão na cidade de Hamilton, a maior do território, integrou uma missa celebrada também em honra da comunidade portuguesa.

A comunidade é "pequena", todos "têm trabalho e só não trabalha quem quer", defende Ângelo, mas a ausência de políticos portugueses não deixa de ser motivo de lamento.

"Nem o Marcelo, nem o Cavaco, Mário Soares, acho que não veio ninguém cá. Somos esquecidos. A nossa comunidade não é muito grande mas gostávamos de os ter. Mas está cá o presidente lá dos Açores, é bom, é muito bom", atira o homem que, uma vez por ano, não deixa de ir à sua casa na Povoação, na ilha de São Miguel.

Na procissão estiveram também, entre outros, o secretário regional com a tutela das Relações Externas, Rui Bettencourt, e o diretor regional das Comunidades do executivo açoriano, Paulo Teves.

Na segunda-feira, feriado nacional instituído este ano para assinalar a chegada, há 170 anos, dos portugueses à Bermuda, o programa tem início com a cerimónia de descerramento de uma placa alusiva à chegada de açorianos à Bermuda, enquanto que, à tarde, Vasco Cordeiro inaugura a sede da Casa dos Açores no território, encontrando-se com a comunidade açoriana.

Está ainda prevista uma visita ao Clube Vasco da Gama, fundado em 1935, responsável pela Escola Portuguesa, dedicada ao desenvolvimento e preservação da língua portuguesa, projeto apoiado pelo Governo dos Açores.

Esta é a primeira deslocação oficial de Vasco Cordeiro à Bermuda, que foi destino da emigração açoriana desde meados do século XIX. Estima-se que cerca de 20 a 25% da população da Bermuda seja descendente de portugueses, dos quais 90% de origem açoriana.

Se, relativamente aos outros destinos da emigração açoriana, a maioria dos emigrantes eram oriundos de todas as ilhas dos Açores, no caso da Bermuda, são, maioritariamente, naturais de concelhos específicos de São Miguel.

A Bermuda foi, assim, o terceiro grande destino da emigração açoriana, após Brasil e Estados Unidos da América.

­Relativamente aos processos que foram tratados diretamente pela Direção Regional das Comunidades dos Açores, apurou-se, de 1960 a 2018, um total de 8.626 cidadãos portugueses da região que saíram para a Bermuda com contrato de trabalho, para exercerem diversas atividades profissionais, nomeadamente nas áreas da construção civil e jardinagem.

De 2013 a 2018 saíram da região 389 cidadãos dos Açores, e este ano, de janeiro a 13 outubro, saíram da região 80 cidadãos açorianos com contrato de trabalho para a Bermuda.


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