Conflito armado

Conflito no Congo ameaça região com nova tragédia humana

Conflito no Congo ameaça região com nova tragédia humana

 

Lusa/AOonline   Internacional   7 de Nov de 2008, 14:45

O conflito na República Democrática do Congo (RDCongo) ameaça a África dos Grandes Lagos com uma nova tragédia humana, advertiu o secretário-geral da ONU, sublinhando que "não pode haver solução militar" apesar dos combates.
Durante uma cimeira internacional em Nairobi sobre a crise no leste da RDCongo, Ban Ki-moon defendeu também a Missão da ONU no país (MONUC), acusada hoje por Kinshasa de inacção face às "matanças" perpetradas - de acordo com o Presidente congolês, Joseph Kabila - no Kivu-Norte pelos rebeldes do ex-general tutsi congolês Laurent Nkunda.

    A crise "poderá estender-se à sub-região" dos Grandes Lagos africanos, declarou o secretário-geral da ONU, acrescentando : "a comunidade internacional não pode autorizar isto".

    "Só ao nível político, aqui, na vossa região, podem ser encontradas soluções duráveis", disse aos dirigentes africanos presentes na cimeira, entre os quais Kabila e o chefe de Estado ruandês, Paul Kagame.

    "Não pode haver solução militar para esta crise", insistiu.

    Novos combates foram hoje registados entre o exército congolês e os rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) de Laurent Nkunda em Kibati, 15 quilómetros a norte de Goma, capital da província de Kivu-Norte, de acordo com o porta-voz militar da MONUC, tenente-coronel Jean-Paul Dietrich.

    O exército "utilizou armas pesadas, morteiros e metralhadoras. Os combates continuam para norte", acrescentou, precisando que decorriam conversações entre a MONUC e o exército para pôr fim aos confrontos.

    Estes combates provocaram a fuga de milhares de civis aterrorizados de campo de refugiados, onde vivem dezenas de milhares de pessoas.

    "A recente ofensiva militar do CNDP agravou radicalmente a situação, que conduz a graves consequências humanitárias e precipitou uma vez mais o leste da RDCongo numa fase de crise", lamentou Ban Ki-moon.

    "Enquanto dirigentes de África, têm uma responsabilidade histórica. Este é um momento crítico para a região dos Grandes Lagos, para toda a África. Devemos deixar o ciclo de violência para trás", disse.

    "Na década passada, mais de cinco milhões de congoleses morreram por causa da guerra, da fome, de doenças e das deslocações das populações. Foi uma das piores tragédias humanas da nossa época", lembrou o secretário-geral da ONU.

    Ban Ki-moon defendeu a missão das Nações Unidas e considerou ser o seu "dever sublinhar que a capacidade da MONUC (tinha) chegado ao seu limite, apesar dos actuais esforços para reconfigurar as suas forças que enfrentam grupos armados em todo o leste da RDCongo".

    Convocada de emergência e sob pressão ocidental para travar a escalada do conflito no Kivu-Norte, província fronteiriça do Ruanda palco de uma série de tragédias humanas e de conflitos mortíferos desde o início da década de 1990, a cimeira de Nairobi decorrer num hotel na periferia da capital queniana.

    O comissário europeu para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, manifestou o desejo de que a cimeira resulte numa "declaração que re-comprometa os diferentes chefes de Estado da região" em relação aos acordos já assinados para pôr fim ao conflito, essencialmente através da neutralização dos grupos armados nas duas províncias do Kivu.

    A rebelião de Nkunda considerou antecipadamente esta cimeira inútil.

    Os organizadores da cimeira não precisaram se Kabila e Kagame manteriam um diálogo directo em Nairobi, numa altura em que os dois responsáveis multiplicam as acusações recíprocas sobre a sua responsabilidade na crise.

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